sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A sabedoria do caracol

A sabedoria do caracol




O
 caracol nos ensina não somente a necessária lentidão, mas também outra lição ainda mais necessária. Como nos explica Ivan Illich:

 O caracol constrói a delicada arquitetura de sua concha acrescentando, uma após outra, as espiras cada vez maiores, e depois cessa bruscamente, começando a encaracolar-se em voltas decrescentes. Porque uma única espira ainda maior daria à concha uma dimensão 16 vezes maior. Em vez de contribuir para o bem-estar do animal, ela o sobrecarregaria. Assim, todo aumento de sua produtividade serviria apenas para remediar as dificuldades criadas por esse aumento da concha além dos limites fixados por sua finalidade. Passado o ponto- limite do aumento das espiras, os problemas do supercrescimento multiplicam-se em progressão geométrica, enquanto a capacidade biológica do caracol consegue apenas, na melhor das hipóteses, seguir uma progressão aritmética.

Esse divórcio do caracol em relação à razão geométrica, que ele havia desposado por um tempo, mostra-nos a via para pensar uma sociedade de “decrescimento”, se possível serena e convivial.

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