sábado, 28 de maio de 2016

Raiz de lótus seca, um alívio portátil

Raiz de lótus seca, um alívio portátil
Jan Zaitlin



P
ratico macrobiótica há mais de vinte anos, e continuo me surpreendendo com o muito que ainda temos de aprender sobre a energética dos alimentos. Meu propósito neste artigo é contar-lhes como descobri o poder da raiz de lótus seca.

Certa vez, durante um voo de São Francisco à Costa Leste, sem motivo aparente, meus olhos começaram a lacrimejar e meu nariz a escorrer. Socorri-me em vão de montanhas de lenços e guardanapos, pois as eliminações corriam sem trégua. Percebi que o passageiro ao meu lado, com toda a razão, ficou extremamente incomodado.

Minutos depois, tive a plena consciência de que todo aquele contratempo não era senão o resultado da ingestão descontrolada de alimentos yin na noite anterior.

Tentei pressionar alguns pontos de shiatsu, mas não obtive melhora. Lembrei-me então de que, ao me preparar para a viagem, havia jogado algumas fatias de lótus seca na minha bagagem de mão. É que a amiga que me acomodaria, sofrendo de terríveis hemorroidas, ligou-me desesperada pedindo que eu levasse algo para aliviar suas dores. Consultei o volume Macrobiotic Path to Total Health e separei um bom punhado de raiz de lótus seca. Sem ter muito com que contar, lancei à boca cerca de uma colher de chá daqueles pedaços da lótus seca. Pus-me a mastigá-los muito bem, e em poucos minutos todos os meus sintomas tinham desaparecido. Foi como se uma esponja tivesse absorvido todo o líquido que saía de meus olhos e de meu nariz. Desnecessário dizer que, depois dessa experiência, as fatias de raiz de lótus seca tornaram-se um de meus suprimentos de viagem mais importantes.

A melhor parte da história, entretanto, começou quando cheguei ao apartamento de minha amiga. Logo após levar as malas para o quarto de hóspedes, dirigi-me à cozinha a fim de preparar-lhe uma beberagem com a raiz de lótus seca, umeboshi e araruta. Na manhã seguinte, minha amiga experimentou um alívio significativo de sua embaraçosa e desconfortável aflição. Dei-lhe o restante da raiz de lótus, e ela prometeu reduzir o consumo de frutas e aumentar o de grãos integrais e vegetais.

Tenho constatado que a raiz de lótus seca também é eficaz em outras situações. Na primavera passada, eu passeava com outra amiga quando ela me contou que sofria de febre do feno. Participou-me que o incômodo era tão grande, que interferia até mesmo em seu trabalho. Ela não conseguia parar de espirrar; e as lágrimas que fluíam desmedidamente de seus olhos impediam-na de se concentrar.  Dei-lhe algumas fatias de raiz de lótus seca e disse-lhe que, ao avizinhar-se uma crise, ou fizesse com elas um chá ou simplesmente as mastigasse o mais possível. Dias depois, ela ligou perguntando: “Que espécie de substância é essa, e onde posso adquiri-la?” A lótus melhorou sua qualidade de vida.

Uma terceira amiga relata-me que mastigar lótus antes de dormir a tem ajudado em seus episódios de ansiedade, acalmando-a o suficiente para cair no sono.

A raiz de lótus seca também vem a calhar quando ingerimos um pouco mais de yin em quaisquer restaurantes. Recentemente eu e um amigo saímos para experimentar um prato indiano. Reparei que depois do jantar, no caminho de volta, estávamos ambos com a garganta “arranhando”. Sugeri que mastigássemos uma pequena fatia de lótus seca. O efeito foi tão impressionante, que meu amigo julgou tratar-se de um truque de mágica.

Tudo indica que a raiz de lótus fresca é ao menos tão eficaz quanto sua versão desidratada. Contudo, é muito mais fácil manter a raiz de lótus seca na dispensa ou na bolsa. Seu prazo de validade é bastante longo. Embora seja muito melhor evitar escolhas alimentares que provocam desequilíbrio, o fato é que a vida acontece...

É por isso que hoje, em meu estojo macrô de primeiros-socorros, a raiz de lótus seca não pode jamais faltar.


3 comentários:

  1. Que história maravilhosa e que preciosidade essa dica, Jan e Laercio! Também sou encantada com a raiz-de-lótus. Abraço grande!

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Que bom que tenha gostado do artigo, Sônia. É um estímulo para nós. Valeu!

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