domingo, 23 de fevereiro de 2014

A AUTORREGENERAÇÃO DOS DENTES

A AUTORREGENERAÇÃO DOS DENTES
Phyllis Parun





Este artigo é o resultado de minhas pesquisas sobre a saúde dos dentes – tema imperdoavelmente negligenciado pelos veganos, vegetarianos e macrobióticos. Escrevi-o com o propósito de prevenir os leitores contra os danos causados aos dentes pela dieta equivocada, pela moderna odontologia e pela medicina alopática.

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Qual a origem das cáries?
As cáries são causadas pela desmineralização dos dentes, a qual, por sua vez, decorre de uma dieta pobre em vitamina K₂.
Como os dentes são uma extensão dos ossos, as cáries indicam ossos fracos e, portanto, nutrição precária.
As cáries podem retroceder?
Sim, se se adotar uma dieta que inclua alimentos ricos em vitamina K₂, D, A e minerais.
Pode a sua dieta macrobiótica estar deficiente desses nutrientes essenciais?
Sim.
A ciência moderna estabelece alguma relação entre essa deficiência e o surgimento de enfermidades?
Sim. A deficiência de vitamina K₂, por exemplo, está relacionada a doenças graves, como osteoporose, ataque cardíacos, diabetes, câncer, etc.

COMO OS DENTES SE REGENERAM
A estrutura rija dos dentes “é formada de cálcio e fósforo, o mesmo material de que são feitos nossos ossos. Desmineralização e remineralização ocorrem na superfície dos dentes.” O Dr. Robert Nara informa-nos de fato pouco conhecido sobre os dentes: “Mesmo pessoas cuja boca encontra-se em boas condições apresentam em média vinte cáries em qualquer momento. Essas cáries ou estão progredindo ou estão regredindo. Se os minerais estão sendo repostos no mesmo ritmo em que estão sendo perdidos, os dentes permanecem saudáveis. Se, ao contrário, tal reposição não se dá, a deterioração dos dentes toma corpo. Se a dieta não é apropriada, há baixa concentração de minerais. Portanto, é a dieta um fator muito importante para a saúde dos dentes.”

Contrariamente ao que os dentistas professam, o Dr. Nara lembra que, no caso de quebra de uma estrutura óssea qualquer, essa estrutura, contra tudo e contra todos, se regenera. “Testemunhamos o surgimento de uma estrutura óssea nova em folha. Por quê, então, num caso de cárie, não veríamos o aparecimento de um esmalte de primeira mão?”

A DESCOBERTA DO DR. WESTON PRICE
O Dr. Weston Price iniciou suas pesquisas sobre cárie nos anos trinta do século passado, e permanece ainda como a figura central da relação entre nutrição e saúde dos dentes. Ele constatou que a dieta dos povos primitivos havia sido completamente adulterada com a introdução de alimentos industrializados e açúcar simples. Desenvolveu ele um suplemento à base de gordura animal que curava cáries. O Dr. Price verificou que o controle da cárie por meio da alimentação apresentava resultados extremamente positivos: registraram-se milhares de casos de recuperação da dentina quando exposta à saliva de alta qualidade e rica em minerais. O pesquisador concluiu que duas condições eram necessárias para que a dentina restauradora preservasse a polpa e nervo: 1) a melhora significativa da qualidade da saliva; e 2) o acesso livre da saliva à região danificada. A obturação, portanto, impede a remineralização.

A SUBSTÂNCIA “ATIVADORADO DR. PRICE
O Dr. Price denominou “Ativador X” a substância que cria a segunda dentina, elimina as cáries e solda os ossos fraturados. A manteiga por ele desenvolvida, quando adicionada à dieta daqueles que sofriam de cárie, provocava uma mudança marcante na constituição da saliva e um aumento significativo dos lactobacilos acidófilos. A fórmula do Dr. Price eliminava as cáries, mas só quando a manteiga era obtida do leite de vacas alimentadas com gramas frescas da primavera. (A fórmula do Dr. Price era constituída de vitamina A de alta qualidade, manteiga com Ativador X e óleo de fígado de bacalhau. Ingeria-se a fórmula três vezes por dia. Quando usada de sete meses a um ano, a maior parte das cáries desaparecia, embora às vezes, para surtir efeito, fosse necessário ingeri-la durante três anos.)

Porque a qualidade da grama ingerida pelas vacas era um fator determinante, por muito tempo pensou-se que o Ativador X fosse a vitamina D, e mais tarde foi ele confundido com a vitamina K1. Mais recentemente, o pesquisador Chris Masterjohn descobriu que o Ativador X do Dr. Price corresponde à vitamina K2, e que a quantidade mais expressiva de K2 encontra-se no reino vegetal. Natô, um fermentado japonês proveniente da soja, contém mais vitamina K2 do que laticínios, produtos de origem animal ou bacalhau.

 Com o intuito de esclarecer a questão crucial das fontes vegetais, escrevi a Chris Masterjohn. Sua resposta foi clara e precisa: “Os seres humanos podem, de fato, produzir vitamina K2. Isto é discutido em meu artigo. Entretanto, parece que neste caso são muito menos capazes do que os ratos; e assim também na conversão do betacaroteno em vitamina A. (...) Minha ênfase recai sobre os produtos animais por duas razões. Primeiro porque o natô é, no Ocidente, praticamente desconhecido, sendo consumido principalmente no leste do Japão. A maioria das pessoas que se interessará por meu artigo está mais familiarizada com alimentos como gema de ovos e queijos maturados, os quais de fato constituem a grande fonte de K2 dos países ocidentais. (...) Segundo porque o objetivo do artigo não era tanto oferecer uma visão abrangente da vitamina K2, mas mostrar que ela provavelmente responde por toda ou grande parte da atividade biológica que Price atribuía ao Ativador X, e Price não tinha conhecimento do natô. Portanto, o natô e outros vegetais fermentados eram temas que passavam ao largo do objetivo principal do artigo, e por isso não foram demoradamente examinados.”

Mas voltando à questão das fontes animais e vegetais de vitamina K2, Masterjohn mostrou-se incisivo: “Penso que o natô constitui uma grande fonte, mas prefiro não depositar todos os ovos numa única cesta. Meu conselho é obter K1 das verduras folhosas e alguma K2 de produtos animais. Buscar a diversidade é importante.”

Certo é, pois, que a vitamina Kenriquece a saliva e remineraliza os dentes, sendo encontrada em quantidades mais do que adequadas no natô, alimento obtido da soja fermentada.

VEGETAIS VERSUS GORDURA ANIMAL                    
Há controvérsias sobre se a gordura animal é necessária para metabolizar as cruciais vitaminas A, D e K2. Mas foi o Dr. Price quem descobriu que nem todo alimento de origem animal é rico em minerais o suficiente para remineralizar os dentes. Ele constatou que os animais que pastavam a relva da primavera produziam recursos minerais da mais alta qualidade. Tal constatação suscita questões concernentes ao vegetarianismo.

Price estava convencido de que era a qualidade da vegetação ingerida pelo gado o segredo daquela manteiga especial. Podemos ler em sua obra que, se o gado leiteiro não pastasse a relva fresca da primavera, a manteiga produzida não apresentava a mesma qualidade mineral daquela utilizada por Price para remineralizar os dentes. Conclui ele, portanto, que era a qualidade dos vegetais que determinava a qualidade do produto animal.

VITAMINAS SOLÚVEIS EM GORDURA
A questão é se a gordura animal é necessária para a solubilidade daquelas vitaminas. De um lado encontra-se a Weston A. Price Foundation, e de outro o Dr. John McDougall, que escreveu o que se segue numa correspondência a mim endereçada: “Toda a gordura necessária para absorver as tão famosas vitaminas lipossolúveis é encontrada na gordura natural dos vegetais. Nenhuma adição de gordura saturada ou animal é exigida.”

Muitos seguidores do Dr. Price (Hal Huggins, Ramiel Nagel, Sally Fallon) insistem no valor dos produtos animais e nunca vislumbram algo mais. Mas a manteiga do Dr. Price gozava de alta qualidade nutricional porque era elaborada com o leite das vacas que pastavam a relva fresca da primavera. E os dentes dos pacientes curavam-se graças à vitamina K2 presente naquela grama. Num primeiro momento, certo de que o Ativador X necessitava de gordura animal para metabolizar, o Dr. Price usou óleo de fígado de bacalhau. Contudo, quando descobriu que a relva do início da primavera ingerida pelo gado era o fator que potencializava a sua fórmula, reconheceu ele afinal que só o óleo de fígado de bacalhau não era suficiente. Deve-se concluir, portanto, que o segredo encontra-se no sol e na relva.

Defensor do óleo de fígado de bacalhau e da manteiga, Ramiel Nagel enviou-me esta mensagem a respeito da questão das vitaminas lipossolúveis: “Embora eu me empenhe em ajudar os vegetarianos a prevenir a cárie, o fato é que a dieta vegetariana é inferior àquela que inclui carne, miúdos e óleo de fígado de bacalhau quando o que está em jogo é a prevenção da cárie.”

As pesquisas, em sua maioria, indicam que os veganos não possuem dentes fortes. Entretanto, esses estudos apressados e genéricos não levam em conta que nem todos os veganos seguem a mesma dieta ou possuem os mesmos conhecimentos culinários. Quando veganos usam substâncias yin, como açúcar e maconha, eles acabam apresentando deficiência de minerais, tornando-se vítima da acidificação. David Briscoe tem chamado a atenção para o fato de que o fluido intercelular, aquele que circunda nossas células, deve manter-se ligeiramente alcalino e mais yang. Veganos e vegetarianos que, seguindo os princípios da macrobiótica, preparam refeições alcalinizantes, não manifestam deficiências. Os pesquisadores que se proporem estudá-los serão obrigados a reconhecer a fragilidade das conclusões atuais.

CASOS DE REMINERALIZAÇÃO DOS DENTES MESMO EM CIRCUNSTÂNCIAS EXTREMAS
O Dr. Price relata o caso de uma jovem de 15 anos com quarenta e duas cáries em vinte e quatro dentes. Extração e dentadura completa foram recomendadas. A paciente ingeriu a fórmula do Dr. Price (vitamina A, manteiga com Ativador X e óleo de fígado de bacalhau) três vezes por dia durante sete meses. Sua saliva tinha livre acesso aos dentes, já que nenhuma obturação fora realizada, com exceção de duas ou três temporariamente. “Com a dieta reforçada pelo Ativador X, uma segunda dentina surgiu, e todos os dentes foram salvos.” O Dr. Price afirmou que esta forma de controle nutricional das cáries é satisfatória, e a recomenda com entusiasmo.


O Dr. David Kennedy, praticante da odontologia preventiva durante mais de vinte anos, dentista da marinha dos E.U.A. durante dois anos, palestrante e presidente da Academia Internacional de Medicina Oral e Toxicologia, contou-nos a seguinte história: “Certa vez, atendi um jovem de Chicago que ficara encarcerado no Vietnam durante sete anos como prisioneiro de guerra. Disse-me ele que o avião militar em que estava fora atingido por um míssil. Sua ficha mostrava que ele tinha muitas cáries alguns meses antes de a aeronave ser abatida. Elas eram profundas, embora não atingissem o nervo. Percebi, no entanto, que as cáries não tinham progredido desde que os raios X foram feitos, há cerca de sete anos. Os nervos tinham contraído, mas permaneciam vivos. Concluí que a dieta de arroz bolorento e insetos ingerida por ele na prisão não fez crescer as cáries, dando à sua dentina o tempo adequado para regenerar-se.”

4 comentários:

  1. Eu adorei o seu artigo! As referências são excelentes! Apesar de não ser da área (e por ter chegado até aqui apenas buscando esclarecimento pessoal a cerca do consumo de Óleo de Fígado de Bacalhau), fiquei muito interessado no assunto. Penso, talvez, em explorar essa área mais adiante, porém pela ótica química. Estou extremamente feliz e grato por tê-lo encontrado!

    Cordialmente,
    C.A.

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    1. Prezado C.A.,
      Seu comentário muito me estimulou para continuar neste caminho de divulgação de artigos que em geral vão contra a corrente.

      Muito Grato.

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  2. Parabéns pelo artigo. Me ajudou a procurar consumir a K-2.

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  3. Adorei o artigo. É muito interessante e atraente, ja que aborda a dieta como um fator crucial para a saúde dos dentes.

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