quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pequenos Segredos da Vida



 Assista ao documentário sobre Monsieur René Lévy, discípulo francês de George Ohsawa, e sobre o Hotel e Restaurante Cuisine et Santé que ele mantém aos pés dos Pirineus.
 Observe-se a importância que Monsieur Lévy confere ao seu encontro com George Ohsawa.
 Nossas vidas são determinadas, no fundo, pelos bons e maus encontros. Aqueles que, em algum momento da vida, deparam com as ideias de George Ohsawa se podem considerar seres privilegiados.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Correspondência entre dieta e diferentes formas de doença




Correspondência entre dieta e diferentes formas de doença
                                                                                                                                                         Noboru Muramoto

Teve a lepra sua causa determinada em 1873, ano em que o médico norueguês Gerhard H. A. Hausen (1841-1912) vinculou a doença ao bacilo mycobacterium leprae.
Quem contraísse a bactéria poderia desenvolver um entre dois tipos de lepra. O primeiro comunica ao padecente um aspecto horrendo, monstruoso, é como se o corpo entrasse a decompor-se. É o caso paradigmático da lepra.
O segundo tipo – também atribuído ao bacilo mycobacterium leprae – confere à vítima uma aparência já outra. Aqui a doença ataca principalmente o sistema nervoso. No primeiro estágio, regiões da pele são assaltadas por manchas brancas e perdem as reações aos estímulos físicos. Adiante o vitimado emagra e experimenta um inexcedível depauperamento, pois o conjunto de seus músculos, retraindo-se e atrofiando-se, não mais consegue exercer suas funções. Se o mal avança, danos nervosos mais sérios levam a deformidades. Contudo, este segundo tipo da doença não implica a letalidade nem a deformidade assustadora do primeiro.
Apresentam o mesmo comportamento da lepra a tuberculose e a peste.
Provocada pelo bacilo mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, a tuberculose ora se manifesta como a doença clássica que arrebatou da vida uma legião de poetas românticos, ora como doença cutânea.
No primeiro caso, os sintomas iniciais são tosse frequente e febre pouco intensa no fim do dia. Com a evolução da doença, surgem a exaustão física, a transpiração noturna, a perda de peso, a eliminação de sangue e muco dos bronquíolos e, finalmente, o vômito de sangue dos pulmões.
A segunda forma de tuberculose – vinculada, tanto quanto a primeira, ao bacilo mycobacterium tuberculosis – não investe contra os pulmões apenas, senão contra os gânglios linfáticos, a genitália e os rins, e com mais frequência ataca a superfície da pele, colonizando-a com protuberâncias semelhantes a verrugas.
A peste, por sua vez, está relacionada ao bacilo yersinia pestis, descoberto em fins do século XIX. Também ela apresenta duas formas, ambas provocadas pelo mesmo micro-organismo yersinia pestis. Uma delas avança sobre os pulmões, preenchendo-o com fluidos mórbidos e enfim sangue, o que acarreta hemorragia nasal. Os que a contraem quase sempre morrem. Já o sintoma característico da segunda forma é o intumescimento dos gânglios linfáticos quer na região da virilha quer na região das axilas. Esta segunda forma nem sempre é fatal.
Como explicar a dupla manifestação da lepra, da tuberculose e da peste, se em cada um desses flagelos constata-se tão somente a presença de um único patógeno? É este grande enigma da medicina que Noboru Muramoto pretende desvendar. (N. do E.)

Podem-se classificar os alimentos em duas categorias: os do reino animal e seus derivados, e os do reino vegetal e seus derivados. (A uma terceira categoria corresponderiam os minerais, juntamente com a água e o sal – substâncias que, embora não sejam usualmente consideradas alimentos, deveriam sê-lo, assim como o ar que respiramos.) Quando ingerimos muito alimento do reino animal, geralmente na forma de carne, nosso organismo torna-se susceptível a uma forma piogênica de infecção, um tipo destrutivo de doença. Tal tipo surge habitualmente na pele (como resultado do mau funcionamento dos rins) e nas regiões inferiores do corpo, em geral na superfície. Esta classe de enfermidade atinge pessoas robustas e pode aparecer e desaparecer rapidamente. Sarcoma de Kaposi, lepra, tuberculose cutânea verrucosa e peste bubônica constituem exemplos de doenças destrutivas.
Durante o período da grande peste, habitantes dos países orientais morriam principalmente de peste pneumônica; naquela altura já eram eles consumidores de mel e açúcar. Quando ingerimos, em quantidade considerável, certos derivados de vegetais, geralmente na forma de refinados, tal como o açúcar, tornamo-nos mais susceptíveis a um tipo degenerativo de doença. Os distúrbios dessa espécie atacam principalmente as áreas superiores do corpo, os pulmões, o cérebro, o sistema nervoso, e em geral são mais internos e não se manifestam tanto na superfície quanto os de tipo destrutivo. Pneumocistose, lepra tuberculoide, tuberculose típica e peste pneumônica são exemplos de doenças associadas a pessoas que ingerem constantemente doces e álcool. Trata-se, grosso modo, de doenças que vitimam especialmente aqueles de constituição frágil, e cujo desenvolvimento e cura são lentos. Denomino-as doenças degenerativas.
Um terceiro tipo de enfermidade resulta da ingestão excessiva e costumeira de ambas as categorias de alimentos: carne e açúcar, por exemplo. Se ambos são ingeridos em pequenas quantidades, nosso organismo é capaz de neutralizar-lhes os efeitos. Mas, caso sejam consumidos em excesso, os produtos deletérios de cada um deles se acumularão, levando a um resultado manifestamente destrutivo, como a septicemia.
Na realidade as doenças são mais complicadas. Contudo, se as duas formas básicas de doença forem compreendidas, suas variações serão facilmente entendidas como combinações daqueles dois modelos fundamentais.
Padrões dietéticos extremos – muita carne ou muita sobremesa – desenvolvem excessos tóxicos que enfraquecem vários órgãos, arrastando-os para a degeneração e destruição, e impondo aos outros órgãos e sistemas uma tensão comprometedora.

As razões de Aldous Huxley




“‘O coração’ – disse Pascal – ‘tem suas razões’. Mas ainda mais positivas e muito mais difíceis de decifrar são as razões dos pulmões, do sangue e das enzimas, dos neurônios e das sinapses.”
Aldous Huxley

domingo, 4 de dezembro de 2011

Características das Dietas Tradicionais dos Povos Não Industrializados




Características das Dietas Tradicionais dos Povos Não Industrializados*


1-      Das dietas dos saudáveis povos não industrializados não fazem parte alimentos refinados ou desnaturados, tais como açúcar branco e xarope de milho; farinha branca; enlatados; leite pasteurizado, homogeneizado, desnatado ou desengordurado; óleos vegetais refinados e hidrogenados; suplementos proteicos; vitaminas artificiais e aditivos tóxicos e corantes.


2-       Todas as culturas tradicionais consomem algum tipo de proteína animal e gordura de peixe ou outro fruto do mar; aves da terra e da água; animais da terra; ovos; leite e produtos do leite; répteis; e insetos.



3-      Comparadas à dieta norte-americana típica, as dietas primitivas contêm pelo menos quatro vezes mais cálcio e outros minerais, e dez vezes mais vitaminas lipossolúveis presentes nas gorduras animais (vitaminas A, D e K).


4-      Em todas as culturas tradicionais, alguns produtos animais são consumidos crus.


5-      As dietas primitivas e tradicionais dispõem de um conteúdo enzimático impressionante derivado de produtos lácticos crus; carnes e peixes crus; mel cru; frutas tropicais; óleos extraídos por pressão a frio; vinhos e cervejas não pasteurizados; e vegetais, frutas, bebidas, carnes e condimentos fermentados e preservados naturalmente.


6-      Sementes, grãos e castanhas são deixados de molho, germinados, fermentados ou naturalmente levedados a fim de neutralizar os antinutrientes que contêm, tais como ácido fítico, enzimas inibidoras, taninos e carboidratos complexos.


7-      O conteúdo total de gordura das dietas tradicionais varia de 30% a 80%, mas somente cerca de 4% das calorias provêm dos óleos polinsaturados presentes naturalmente em grãos, leguminosas, castanhas, peixe, gordura animal e vegetais. O restante das calorias provenientes de gordura é obtido de ácidos graxos saturados e monossaturados.


8-      As dietas tradicionais contêm quantidades aproximadamente iguais de ômega 6 e ômega 3.


9-      Todas as dietas primitivas contêm sal.


10- As culturas tradicionais consomem ossos de animais, normalmente na forma de caldos ricos em gelatina.


11- As culturas tradicionais preocupam-se com a saúde das futuras gerações, fornecendo às gestantes e crianças em fase de crescimento alimentos ricos em nutrientes especiais; estimulando as crianças a ser independentes; e ensinando aos jovens os princípios de uma dieta saudável.

* Texto elaborado pela The Weston A. Price Foundation.

Um Ohsawa Não Cerealista



Um Ohsawa Não Cerealista
                                                                     Ronald Kotzsch




A atração de Ohsawa pelos valores japoneses tradicionais evidenciara-se igualmente no seu envolvimento com a Shoku-Yō Kai.* Embora voltada para dieta, a organização também defendia a cultura e a moralidade autóctone contra as intrusões ocidentais. Em 1916 Ohsawa uniu-se oficialmente ao grupo: cedeu seu escritório em Kobe para distribuir alimentos da Shoku-Yō e passou a organizar congressos e conferências e a colaborar com artigos para a revista mensal da organização.

O primeiro deles discorria sobre a difícil situação por que passava a população aborígine Ainu, de Hokkaido, ilha localizada no extremo Norte do Japão. Naquela altura, mirando-se na política colonialista dos países ocidentais, o governo japonês impingiu aos Ainu o cultivo de arroz e a criação de gado leiteiro.  Ohsawa assinala que a cultura tradicional desse povo baseava-se na caça, pesca e coleta de plantas selvagens, e que tal diretriz econômica desprezara completamente o princípio de harmonia com o meio ambiente. Esta nova e imposta economia rural (e a dieta dela decorrente) levaria, segundo ele, à destruição biológica e cultural dos Ainu.


*A Shoku-Yō-Kai foi, de fato, a precursora das organizações macrobióticas. Tendo como mentor o médico japonês Ishizuka Sagen, contava, entre suas atividades, com a publicação de um periódico intitulado Shoku-Yō Shimbun . Na capa, abaixo do título, lia-se: “Revista dedicada à propagação da nova ciência do cerealismo estabelecida por Ishizuka Sagen.”

Digno de nota, portanto, é o fato de Ohsawa ter transposto o cerealismo de Ishizuka e adotado, ao menos nesse artigo, um critério mais abrangente, qual seja, o da harmonia com o meio ambiente e observância às tradições seculares. (N. do E.)

Degradação da Natureza

            
                 

“Não é a humanidade, em termos genéricos, a responsável pela degradação da Natureza; mas uma parcela ínfima da humanidade, que possui mais e, portanto, pode mais.”

A Indústria da Doença



                                                     

                       
A Indústria da Doença
                                                                                    Michael Pollan


A medicina está aprendendo como manter vivos os que a dieta ocidental está deixando doentes. Os médicos aprenderam a manter vivos os cardíacos, e agora estão dando duro para tratar da obesidade e do diabetes. Muito mais que o corpo humano, o capitalismo é incrivelmente adaptável, capaz de transformar os problemas que cria em novas oportunidades de negócio: comprimidos para emagrecer, operações para a colocação de pontes cardíacas, bombas de insulina, cirurgia bariátrica.

Embora se estime que 80% dos casos de diabetes tipo 2 poderiam ser evitados com mudança na dieta e exercícios físicos, parece que o capital esperto investe na criação de uma grande indústria do diabetes. A imprensa dominante está cheia de anúncios de novos aparelhos e novas drogas para diabéticos, e a indústria do sistema de saúde se prepara para satisfazer a crescente demanda por operações para colocação de pontes (80% dos diabéticos sofrerão de doenças do coração), diálise e transplantes de rim. No caixa do supermercado, é possível folhear exemplares de uma nova revista com enfoque no estilo de vida: Diabetic Living. O diabetes está em via de ser normalizado no Ocidente – reconhecido como um novo segmento demográfico e, portanto, uma grande oportunidade de marketing. Ao que tudo indica, é mais fácil, ou pelo menos mais lucrativo, transformar uma doença da civilização em estilo de vida do que mudar a alimentação da civilização.