domingo, 9 de outubro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

Macrobiótica e Produtos Animais (Última Parte)

Metamorfose 18
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora Autêntica
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2532-0084
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita


Macrobiótica e Produtos Animais (Última Parte)
                                                        Carl Ferré
                   
                    “Não somente está a macrobiótica limitada à dieta,
                                 mas também  a  própria dieta macrobiótica está limitada.”


PROBLEMAS COM A EXCLUSÃO DE PRODUTOS ANIMAIS


A abstenção de produtos animais leva as pessoas que precisam ingeri-los para recuperar a saúde a se negarem a fazê-lo ou a se preocuparem excessivamente.

Meu amigo Joe precisou comer frango para livrar-se do mal que o abatia. Ele abandonou a macrobiótica por conta disso; ou seja, jogou no lixo um sistema filosófico inteiro em decorrência de tê-lo compreendido superficialmente. Quantas pessoas não rechaçam a macrobiótica justamente por causa da concepção limitada que têm dela?

Conheço pessoas às quais foi indicado o consumo de produtos animais que não frutos do mar. Enfrentei o mesmo dilema há anos. Decidi incluir algum produto animal por certo período, o que sem dúvida me ajudou. Guiei-me pelos princípios macrobióticos acerca de que e quanto comer. Não é tão difícil como alguns imaginam.

Outro problema quanto à abstenção de produtos animais é que muitos educadores macrobióticos os inclui em sua dieta particular. Anos atrás, assisti a uma maravilhosa palestra de um professor de macrobiótica sobre as muitas razões para evitar laticínios. Fiquei tão impressionado que fui ao camarim agradecer-lhe pessoalmente. Qual não foi minha decepção quando o surpreendi comendo flocos de cereais embebidos no leite. Chocado fiquei ao ver que ele não praticava o que pregava.

Anos depois descobri o porquê de tal procedimento ao participar de um encontro de líderes macrobióticos. Em determinado momento, alguém perguntou quantos de nós não haviam ingerido, nos dois meses que antecederam o encontro, um ovo ou qualquer outro alimento de origem animal que não frutos do mar. Apenas um entre os sessenta líderes levantou o braço. Fiquei confuso. A justificativa foi que, em se tratando de professores, nada havia de errado no uso de produtos animais, uma vez que eles conheciam os princípios macrobióticos da qualidade e quantidade.

Comecei a pensar que ingerir produtos animais é aceitável quando conhecemos os princípios macrobióticos, e não o é quando os ignoramos. Por que não deixar isso claro às pessoas que se iniciam na macrobiótica? Por que lhes não explicar como ingerir produtos animais de forma adequada (em vez de lhes dizer que devem evitá-los a todo custo)?

A macrobiótica compreende um conjunto de princípios universais que podem ser aplicados em qualquer dimensão da vida. Mas tem-se ela identificado tanto com um tipo de dieta curativa, que os princípios foram empuxados para a coxia. A macrobiótica tornou-se limitada e deixou de corresponder à definição de “macro” presente nos dicionários (muito amplo em dimensão, alcance e capacidade). Não somente está a macrobiótica limitada à dieta, mas também a própria dieta macrobiótica está limitada.


COMO INCLUIR PRODUTOS ANIMAIS


Esta seção oferece critérios para incluir produtos animais tendo por base a filosofia macrobiótica. Tais indicações não pretendem sugerir a quem quer que seja a inclusão de produtos animais em sua prática macrobiótica. O incluí-los deve ser o resultado de uma cuidadosa deliberação. Depende de cada um de nós a decisão de incluí-los ou não.

Condição: Produtos animais provocam acidez, e é mais desgastante para o nosso corpo digeri-los do que digerir os vegetais. Por essa razão (e outras) é que pessoas com qualquer problema de saúde devem usar de cautela ou se consultar com um orientador qualificado antes de consumir produtos animais. E às pessoas saudáveis é aconselhável estudar profundamente a natureza e os efeitos dos produtos animais antes de ingeri-los.

Constituição: Enquanto algumas pessoas descobrem que é bom para elas ingerir alimentos de origem animal, outras descobrem que não é bom. Todos somos diferentes – não há nada idêntico no universo, e isso vale também para as pessoas. Muitos indivíduos com o tipo sanguíneo O relatam que se sentem melhor ingerindo produtos animais, ao passo que indivíduos com o tipo sanguíneo A se sente melhor com uma dieta vegetariana.

Propósito: O propósito de alguém ao aplicar os princípios macrobióticos em sua vida diária influencia diretamente na questão de incluir ou não produtos animais. Pessoas que adotaram a macrobiótica em busca de desenvolvimento espiritual deveriam seguir o que Ohsawa e Aihara recomendaram para esse caso: quanto mais alimento vegetal e menos animal, melhor. Pessoas cujo objetivo consiste em curar uma desordem deveriam observar os mesmos conselhos, a menos que haja uma necessidade específica por causa de sua condição singular.

Atração: Lembro-me de uma reunião em nosso acampamento anual durante a qual Cornellia falava aos homens enquanto Herman entretinha as mulheres. Um dos presentes perguntou a Cornellia o que as mulheres buscam num homem. Ela olhou em redor, e sentenciou: “Vocês todos estão extremamente yin!” Ela encorajava-nos a ingerir mais alimentos yang, incluindo produtos animais se necessário fosse. Sua opinião era que não nos encontrávamos suficientemente yang para atrair as mulheres. Podemos discordar de Cornellia, mas não do princípio da atração dos opostos.

Qualidade: Na hora de escolher um alimento, o que devemos considerar, antes de tudo, é a sua qualidade. Na minha opinião, a importância da qualidade se amplia quando se trata de produtos animais. Devemos escolher alimentos isentos de substâncias químicas, pesticidas, aditivos e conservantes. A regra básica é: quanto menos alterado melhor. Tal princípio elimina a maioria dos produtos animais encontrados em supermercados. Escolha animais que se encontram livres para comer por toda parte e que se alimentam somente de produtos orgânicos. Visite, se possível, a granja ou o sítio. Carne de caça significa, em geral, melhor qualidade.

Quantidade: Ohsawa ensinou: “Quantidade compromete qualidade.” Penso que usar um pouco de produto animal como ingrediente numa receita, é o melhor caminho. Por exemplo: um ovo caipira na feitura de um pão de milho. Como sempre, o segredo consiste em comer e beber somente o que é necessário para manter uma condição saudável e alcançar os objetivos. Se alimento de origem animal é necessário para sua condição, ou se você o  deseja ingerir em pequena quantidade, uma boa ideia é comprar ossos numa loja de produtos orgânicos e preparar uma sopa com eles e vegetais variados. Dessa forma, os minerais dos ossos ficam disponíveis sem o excesso de gordura presente na carne.

Yin/Yang: Embora sejam considerados muito yang, os produtos animais contêm fatores yin e yang. A gordura da carne é yin, e sempre representa a substância mais difícil de processar ou contrabalançar. De acordo com os caminhos saudáveis de comer e beber divulgados por Ohsawa, se produto animal faz parte da refeição, menos grão e mais saladas, frutas e sobremesas devem ser consumidos.

Mudança: Tudo muda. A macrobiótica ensina a flexibilidade e a adaptação. Devemos adaptar as técnicas culinárias aos alimentos que escolhemos preparar. Devemos contrabalançar alimentos yin com alimentos yang e vice-versa. Há muitos ensinamentos nos livros de culinária macrobiótica sobre como dominar tal alquimia. Tudo que tem um começo tem um fim. Se começamos a ingerir produtos animais, chegará certamente o tempo em que deixaremos de fazê-lo; e mais tarde, o tempo em que seremos, outra vez, atraídos por eles.

Frente/Dorso: Tudo que possui uma frente possui um dorso; quanto maior a frente, maior o dorso. Ohsawa advertiu-nos de que qualquer coisa que é benéfica pode ser prejudicial – quanto maior o benefício, maior o dano potencial. Seguir cegamente um conjunto de regras rígidas sem compreender a teoria é demasiado perigoso. Ingerir produto animal sem ter um conhecimento apropriado e sem tomar as devidas precauções não constitui exceção.



CONSEQUÊNCIAS


Um dos conceitos básicos da macrobiótica é que tudo o que comemos e bebemos tem consequências. Ohsawa ensinou que o melhor mestre é a experiência. Seu conselho era: “Experimente e constate.” Seja o que for que escolhamos para comer e beber, o importante mesmo é avaliar as consequências desse ato. Se determinado alimento causa desconforto ou doença, é natural que o desejo de comê-lo ou bebê-lo diminua.

Mas consequências há também que se originam do nosso modo de pensar e ensinar. O proprietário do prédio onde funciona a George Ohsawa Macrobiotic Foundation disse-me certa vez que apreciava sobremodo nosso trabalho, que nos admirava pelo fato de estarmos ajudando muitas pessoas a recuperar e a manter a saúde. Mas logo acrescentou que preferiria viver mais dez anos deleitando-se com carnes e pizzas a viver mais trinta sob uma dieta macrobiótica austera. Já na soleira da porta, ele virou-se e arrematou: “É claro que daqui a dez anos eu poderei estar num hospital chamando por vocês.”

Naquele exato momento, perdi eu uma oportunidade de ouro. Naquela época, eu estava tão concentrado na dimensão curativa da macrobiótica, que o deixei cruzar a porta e desaparecer. Não aproveitei o interesse que ele demonstrara pela macrobiótica. Deixei escapar a oportunidade de explicar-lhe que os princípios macrobióticos poderiam ser usados por ele mesmo enquanto comia carnes e pizzas. Em vez de fechar-lhe a porta, eu poderia ter-lhe aberto outra, aproveitando o momento e mudando a direção de seu pensamento.

Comamos ou não produtos animais, nada impede que lhes reconheçamos o valor e aceitemos as pessoas independente daquilo de que se alimentam. A macrobiótica não constitui um conjunto de regras rígidas, mas sim uma filosofia da mudança, da flexibilidade, da adaptabilidade aplicável a todas as dimensões da vida. Todas as expressões da macrobiótica são valiosas e necessárias. Quanto mais aceitamos o diferente, maior liberdade e regozijo experimentamos.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Macrobiótica e Produtos Animais (Parte Primeira)

Metamorfose 17
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora Autêntica
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2543-0084
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita


Do além-túmulo vem Brás Cubas dizer-nos que, quando vivo, viveu dos mortos, engordando as próprias carnes com as alheias, ou seja, com as carnes de animais abatidos. Tal prática, acrescenta ele, devia-se às tiranias do hábito, pois num dos recantos de sua alma, coberto de afagos, vivia o ideário vegetariano.

As memórias do defunto autor criado por Machado de Assis vieram a lume em 1879. Decorrido mais de século, o vegetarianismo ostenta legiões de seguidores cujas mentes e ventres se deixaram conquistar pela doutrina. (Ao contrário de Brás Cubas, os vegetarianos de hoje não se contentam com ser vegetarianos do tipo platônico: fazem eles valer seus ideais, e muitos sequer não se permitem tocar em derivados do reino animal.)

Duas talvez sejam as principais causas do crescimento inaudito do vegetarianismo. Destacam-se, em primeiro lugar, as fortes evidências acerca dos danos causados à saúde humana pelo consumo exagerado de produtos animais. Em segundo lugar, ressaltam-se as modernas técnicas de criação animal que, pela violência e crueldade empregadas, nos fazem perguntar se ainda sobrevive nos homens algum traço, por menor que seja, de humanidade.

Ao mesmo tempo que se deve celebrar esse triunfo do vegetarianismo, deve-se atentar para as preconceituosas significações que os termos “vegetariano” e “não vegetariano” passaram a assumir. Muitos se atribuem qualidades seráficas só porque deixaram de ingerir alimentos de origem animal; e, em contrapartida, imputam aos não vegetarianos – independente da quantidade e qualidade dos produtos animais por eles consumidos – toda espécie existente de inclinação demoníaca.


Entre tantos acertos, o artigo de Carl Ferré ora publicado denuncia esse tipo de dualismo. Assimilado o texto, funda-se em nós a certeza de que a única doença realmente ameaçadora atende pelo nome de exclusivismo. (N. do E.)



Macrobiótica e Produtos Animais
(Parte Primeira)
                                                                                                                                                   Carl Ferré


Chamava-se Joe. E o que o infernizava era um problema crônico no pescoço. Seguiu religiosamente a macrobiótica durante uns anos, mas o incômodo não cedeu aos influxos curativos do arroz e dos vegetais. Na verdade, o problema agravou-se.

Joe decidiu deixar o Texas e ir a Boston para consultar-se com Michio Kushi. Os conselhos de Michio, porém, não surtiram efeito. Tentou então os conselhos de Herman Aihara, que tiveram o mesmo destino dos de Michio. Ao fim e ao cabo, já não podia Joe virar a cabeça sem ter de virar o corpo inteiro: o pescoço parecia-lhe soldado aos ombros.

Joe peregrinou por consultórios mas não encontrou alívio. Finalmente, um médico lhe sugeriu um especialista na Carolina do Norte. Este último diagnosticou o problema como uma desordem óssea extremamente rara, e indicou-lhe a solução: frango! O especialista explicou-lhe que seus ossos estavam deteriorando e que havia algo no frango (e somente nele) que podia curar sua condição.

Joe e eu éramos íntimos. Eu o conheci em 1975, antes de seu problema aparecer. Praticamos macrobiótica juntos. Ele era bastante extrovertido e brincalhão – o sujeito perfeito para animar qualquer festa. Em 1978, mudei-me para a Califórnia com o fito de trabalhar na George Ohsawa Macrobiotic Foundation, e vi-o pela última vez em 1983, durante uma visita ao Texas. Ele encontrava-se completamente curado e voltara a ser o velho Joe, alegre e encantador. Perguntei-lhe como se havia curado. Ele relatou a história que resumi acima, e respondeu: “Eu abandonei a macrobiótica e comecei a comer frango.”

“Não burle a si próprio”, disse eu sem refletir, “você se tornou macrobiótico assim que passou a ingerir aquilo de que seu corpo necessitava.” Mas a ideia de que frango não condiz com macrobiótica deitara-lhe no espírito raízes tão profundas, que não havia jeito de ele compreender-me. Entretanto, a meu ver foi ele mais macrobiótico quando aceitou sua necessidade de ingerir frango do que quando persistiu numa dieta inflexível que em nada o ajudou.


ANTECEDENTES


Enquanto uns incluem produtos animais em sua prática macrobiótica, outros não o fazem. Alguns indivíduos acreditam poder usar produtos animais como parte de uma dieta saudável. Outros, ao contrário, defendem que produtos animais, excetuando-se peixe e frutos do mar, deveriam ser evitados completamente. Em suma, há aqueles que são mais inclusivos e há aqueles que são mais exclusivos.

Há razões convincentes para restringir ou evitar produtos animais que não peixes e frutos do mar, e as há também para não excluí-los da macrobiótica. Hoje, os inconvenientes de ingerir produtos animais são bem maiores do que antes. O maior inconveniente, contudo, é fazer da filosofia macrobiótica um simulacro de si mesma, reduzindo-a a uma dieta terapêutica.

Este artigo apresenta os prós e os contras da inclusão de produtos animais na prática e na teoria macrobiótica. Observe-se que daqui em diante a expressão “produtos animais” indica aqueles produtos que não provêm do ambiente marinho.

A confusão acerca do papel dos produtos animais na prática macrobiótica começou com a bibliografia macrobiótica. O livro Macrobiótica Zen, publicado em 1960, expõe com detalhes os conselhos dietéticos de George Ohsawa. Na mais famosa obra do sensei, vemos estampados os dez modos de alimentar-se a fim de alcançar e manter a saúde: cinco são caminhos vegetarianos e cinco toleram produtos animais. A lista de alimentos elaborada por Ohsawa inclui produtos como frango, peru, ovos e laticínios.


Por outro lado, Ohsawa deixa claro que produtos animais não são necessários para uma vida saudável. Ele acreditava que esses produtos inibiam o desenvolvimento espiritual, e encorajava-nos a alcançar um estágio em que não precisássemos mais ingeri-los. Quero crer que Ohsawa incluiu alimentos de origem animal em sua lista tendo em mente dois objetivos. Em primeiro lugar, para evitar que a macrobiótica se reduzisse à observância de um conjunto de regras rígidas. Em segundo lugar, para impedir que indivíduos que não abriam mão de ingerir produtos animais se afastassem da macrobiótica. Ohsawa desejava que a macrobiótica fosse o mais inclusiva possível. Ele abominava qualquer forma de exclusivismo.

Em seus escritos dos anos setenta, Herman e Cornellia Aihara arrolaram os produtos animais na categoria dos alimentos desejosos, cuja ingestão se deveria restringir a ocasiões especiais. Cornellia de fato serviu peru e outros produtos animais no dia de Ação de Graças durante muitos anos, e publicou as receitas em seu Calendar Cookbook. Ohsawa e Aihara oferecem diretrizes para o uso adequado desses alimentos, as quais incluem o uso ocasional em pequenas quantidades de animais criados livremente e alimentados organicamente. Ambos insistiram em que produtos animais não são necessários para uma vida saudável.

As considerações sobre o uso de produtos animais na prática macrobiótica tomaram outra direção com os escritos de Michio e Aveline Kushi na década de oitenta. Em Standard Macrobiotic Diet, Michio Kushi os inclui, com exceção dos peixes e frutos do mar, entre os alimentos a serem evitados. Depois de escrever que uma pequena quantidade de peixe ou frutos do mar poderia ser servida poucas vezes durante a semana, Aveline Kushi, em seu Complete Guide to Macrobiotic Cooking (de 1985), acrescenta: “Outros alimentos de origem animal, incluindo carne, aves, ovos e laticínios, deveriam ser estritamente evitados.”

Este afastamento das diretrizes de Ohsawa deu início à observância mecânica a um conjunto de regras rígidas, observância que denuncia um tipo de comportamento que Ohsawa jamais desejou fosse assumido pelos macrobióticos.

Hoje, muitos educadores macrobióticos e praticantes seguem as prescrições de Aveline e evitam completamente carne, aves, ovos e laticínios. Além disso, muitos acreditam e ensinam que esses alimentos não fazem parte da dieta macrobiótica. Quando os estudantes se defrontam com os escritos de Ohsawa e Aihara, ficam eles no mínimo confusos e se perguntam: “Afinal de contas, a macrobiótica abrange produtos animais ou não?”

A macrobiótica, que no fundo quer dizer “vida ampla”, é generosa o bastante para acolher tanto os que fazem uso de produtos animais quanto os que não fazem. Os princípios macrobióticos ensinam que todos os opostos ou antagonismos são também complementares. Podemos unificar pessoas que acreditam na compatibilidade entre uma dieta saudável e o uso de produtos animais, e pessoas que postulam a restrição absoluta desses produtos. Pessoalmente, aprecio e apoio ambas as posições; advirto, entretanto, em que ambas apresentam problemas.


PROBLEMAS COM A INCLUSÃO DE PRODUTOS ANIMAIS


Afirmar que produtos animais são permitidos pode gerar confusão. A dieta macrobiótica é primordialmente vegetariana – o uso ocasional de pequenas quantidades de animais alimentados organicamente e criados livremente, ou de produtos deles derivados, não constitui uma negação deste princípio. Note-se ainda que Ohsawa e Aihara jamais toleraram as abusivas e cruéis técnicas de criação animal.

Aqueles que excluem produtos animais alegam que aceitá-los, mesmo em pequenas quantidades, induziria as pessoas a ingeri-los quando e o quanto desejassem. Não penso assim. Ohsawa e Aihara não cansaram de chamar a atenção para os perigos de ingerir produto animal, dada principalmente a qualidade de tais alimentos na época deles. E quão mais perigosos eles se tornaram nos dias atuais! As advertências de Ohsawa e Aihara sobre o uso irrefletido e descontrolado de produtos animais não perderam, absolutamente, sua validade e relevância.

Há um mito atuante nos círculos macrobióticos que merece menção. Alguns praticantes, por excluírem produtos animais, acreditam-se detentores de um espírito ou julgamento mais desenvolvido ou de qualquer qualidade que os torna superiores àqueles que não são vegetarianos. Alguns até se recusam a sentar à mesa com pessoas que ingerem produtos animais, sem se darem ao trabalho de averiguar a quantidade e a qualidade desses alimentos.

O que está por trás da decisão de comer ou não produtos animais é igualmente importante. Um dos princípios da macrobiótica é a não exclusividade, ou melhor, a aceitação dos outros, do diferente. Ser capaz de aceitar as decisões dos outros é fundamental, especialmente se considerarmos que a maioria de nós possui parentes e amigos que ingerem carne.

Outro argumento a favor da exclusão dos alimentos de origem animal é que a maioria das pessoas começa a praticar macrobiótica com o objetivo de sanar alguma doença. Pessoas com problemas de saúde precisam – em geral, mas nem sempre - evitar produtos animais para se curarem. É claro que em algum momento se verificou que era incomparavelmente mais fácil recomendar a todas as pessoas a exclusão de produtos animais do que ensiná-las o uso apropriado deles. Mas, embora haja muitas razões para restringir o consumo de grande parte dos produtos animais, a proibição tem causado confusão e tem prejudicado a macrobiótica de muitas maneiras. O maior dano, a meu ver, é o incentivo a uma prática mecânica da macrobiótica, quando o objetivo maior é o aprendizado do Princípio Unificador.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O VENENO ESTÁ NA MESA


www.youtube.com
Documentário da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, realizado pelo cineasta brasileiro Silvio Tendler.

O documentário “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler – lançado dia 25/7, no Teatro Casa Grande – disponível seguintes links (ajudem a divulgar!):
Parte - 1 http://www.youtube.com/watch?v​=WYUn7Q5cpJ8&NR=1
Parte - 2 http://www.youtube.com/watch?v​=NdBmSkVHu2s&feature=related
Parte - 3 http://www.youtube.com/watch?v​=5EBJKZfZSlc&feature=related
Parte - 4 http://www.youtube.com/watch?v​=AdD3VPCXWJA&feature=related

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Compressa de Gengibre (Parte Terceira)


Metamorfose 16
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora Autêntica.
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2543-0084.
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita.



Com esta edição, completa-se a série dedicada à Compressa de Gengibre no Abdômen. Na publicação nº 14, divulgou-se a carta de Isabel Carrasco na qual relata sua experiência com o tratamento. A publicação subsequente pôs à disposição dos interessados os detalhes para aplicar o ciclo de 64 compressas. Nesta, que agora lançamos, caro leitor, encontrarás as razões por que o sistema funciona, as contraindicações e o modo de agir quando possíveis problemas surgirem durante as aplicações.

Entre os assuntos ora desenvolvidos, a explicação dada por Kaare Bursell sobre o funcionamento da compressa não deixa de surpreender, sobretudo quando lança mão da teoria das três forças. Para ele, a compressa surte efeito graças à presença simultânea das forças intrínsecas yin e yang do gengibre e da terceira força extrínseca representada, neste caso, pelo calor. É a velha história que se repete desde Lao-Tsé: do Três – duas forças congênitas aliadas a uma terceira que vem de fora – se originam todas as coisas.

Com o artigo de Kaare disponível na íntegra, só nos resta agora ultrapassar a teoria e partir para o seu oposto complementar. Como disse certa vez uma nossa promissora liderança, “A única coisa que realmente importa é a prática”. A ela, portanto! (N. do E.)







A Compressa de Gengibre



Instruções para o Tratamento

Recomendo que as compressas sejam feitas 64 vezes, de duas a quatro vezes por semana. Isto constitui um ciclo de compressas; pode não ser, e geralmente não é, o suficiente para proporcionar a reabilitação completa dos intestinos.

Se você chegar à conclusão de que seus intestinos necessitam de mais compressas, aconselho esperar de seis a oito semanas para então iniciar outro ciclo de 64 aplicações. Acredito ser necessário, genericamente falando, três ciclos de 64 compressas cada para reabilitar completamente os intestinos. Também recomendo que esses três ciclos sejam realizados dentro de um período de dois anos.

Não se deve supor que aplicar compressas numa frequência maior do que a aqui recomendada trará resultados mais rápidos. Não se iludam: os intestinos têm seu próprio tempo de reabilitação, de modo que, mais do que nunca, é necessário paciência. Minha experiência diz que, para se recuperarem, os intestinos levam no mínimo dois anos e no máximo sete. A frequência de duas a quatro compressas por semana também não é obrigatoriedade. O importante é fazer 64 compressas por ciclo. Férias, compromissos extraordinários ou qualquer outro motivo podem representar uma pausa de uma ou duas semanas. Mas deixar de fazê-las por até duas semanas não constitui problema algum, desde que se recomece levando em conta o número de compressas já realizadas.

A razão de ser necessário tantas compressas para a reabilitação dos intestinos é que a Estagnação Intestinal Crônica se desenvolve ao longo de muitos anos, às vezes décadas. Quanto mais demoramos a descobrir a Estagnação Intestinal Crônica, mais obstinada e empedernida ela se torna. Por conseguinte, mais compressas se fazem necessárias e mais perseverança e regularidade são de nós exigidas, a fim de que alcancemos os efeitos desejados.

Também recomendo que, uma vez reabilitados os intestinos, se realizem de dez a vinte compressas no período de um ano ou pouco mais. É claro que isso dependerá de uma diagnose facial para determinar a condição dos intestinos. No que diz respeito às crianças, é melhor esperar que completem sete anos para aplicar-lhes o tratamento. (Hoje em dia as crianças já nascem com Estagnação Intestinal Crônica, tendo em vista a dieta "moderna” de suas mães durante a gravidez).

A ação do gengibre é impressionante. Trata-se de uma raiz (energia descendente) que apresenta também um forte olor dispersivo quando ralada (energia ascendente). Esta característica potencializa o calor e o movimento. Durante a compressa, a energia descendente penetra profundamente nos órgãos, assim como lhes atravessa as paredes. A propriedade dispersiva, multiplicando por dez a atividade circulatória, ajuda a dissolver acumulações endurecidas que, por vezes, já contam cinquenta anos. O aumento da circulação também auxilia a eliminação desses excessos, proporcionando ao organismo o retorno aos ritmos naturais de funcionamento. Comer criteriosamente durante esse período é muito importante, a fim de que se não reduza a velocidade do processo de purificação. Descargas também podem ocorrer nessa fase, o que talvez o inspire a procurar um orientador experiente. Jamais aplique a compressa de gengibre sobre o cérebro, em crianças, durante febres altas ou gravidez, ou sobre qualquer área inflamada ou cancerosa.

A Ação da Compressa de Gengibre

A Compressa de Gengibre funciona por causa das forças etéricas da raiz de gengibre e do calor. Da perspectiva do Princípio Unificador, a raiz de gengibre apresenta uma notável atividade yang. Isso quer dizer que ela possui uma forte energia descendente, penetrante.

Por outro lado, quando ralamos a raiz de gengibre, verificamos seu aroma se espalhar poderosamente pelo ambiente, comprovando sua inquestionável energia dispersiva, expansiva. A razão disso está em que a raiz de gengibre cresce horizontalmente sob o solo, o que indica ser ela mais influenciada pela energia yin do que, por exemplo, a bardana ou a cenoura, que crescem verticalmente para baixo. É esta energia yin a responsável por suas propriedades dispersivas, as quais são ainda realçadas quando ralamos diligentemente a raiz.

A água aquecida com gengibre assimila as forças etéricas presentes na raiz. Ao aplicar a compressa no abdômen, utilizando a toalha deixada de molho na água, aquelas forças etéricas ficam concentradas na cavidade onde repousam os intestinos. De um lado, em razão da atividade yang do gengibre, elas penetram os tecidos da região; de outro, em virtude da atividade yin da raiz, elas dissolvem o muco tóxico acumulado justamente naqueles tecidos. Além disso, as forças etéricas do gengibre estimulam as forças etéricas dos intestinos, ativando-lhes as funções.

O calor proporcionado pela compressa estimula a circulação do sangue e dos fluidos na área tratada, o que concorre para a eliminação das toxinas.

A combinação dessas três forças – as forças penetrante (yang) e dispersiva (yin) do gengibre aliadas ao calor - permite que os tecidos da parede intestinal recebam sangue limpo e revitalizado pela primeira vez após anos ou décadas (se tivermos, é claro, adotado simultaneamente cereais integrais e vegetais como alimento diário básico). O resultado é a regeneração dos tecidos e, consequentemente, a restauração das atividades intestinais.


Durante o Tratamento

Como efeito do tratamento, o muco tóxico é gradativamente dissolvido e descarregado na corrente sanguínea. O que experimentamos durante esse processo depende de vários fatores.

Incluem-se entre os sintomas mais brandos de purificação a perda de peso, a fadiga, o aumento da eliminação intestinal e da urinação. Entre os sintomas mais intensos estão as descargas nasais, as dores de garganta, a tosse, a febre, a constipação e a diarreia, vários tipos de dor, erupções cutâneas em diversas partes do corpo e dor de cabeça. Se acompanhados de bom apetite, bom sono e vitalidade – sem a presença de náuseas – esses signos indicam que o processo de cura caminha normalmente.


Contraindicações

Não se deve aplicar a compressa de gengibre sobre o abdômen nos seguintes casos:

- durante a gravidez e amamentação (mas pode ser ela feita durante a menstruação);

- se há inflamação abdominal, peritonite ou pneumonia;

- sobre o cérebro;

- em crianças pequenas;

- quando há febre alta;

- se há câncer na região abdominal, embora a compressa possa ser aplicada sem perigo se o câncer estiver presente em outras partes do corpo.

Na literatura macrobiótica sobre a compressa de gengibre encontram-se advertências como “Considerações especiais para pacientes com câncer” e registros da cataplasma de inhame. Nessas advertências lê-se que os pacientes com câncer não deveriam fazer a compressa por mais de cinco minutos sobre a região afetada. A razão alegada é que o aumento da circulação sanguínea provocado pela compressa levaria ao crescimento do câncer.

Isto só é verdade, entretanto, se o sangue ainda se mostra intoxicado. Quando alguém inicia a macrobiótica, em dez dias o plasma sanguíneo (o fluido no qual as células do sangue se encontram) é renovado; de trinta a sessenta dias todas as células brancas do sangue são novamente criadas; e em 120 dias todas as células vermelhas do sangue são de novo geradas.

Teoricamente, portanto, se começarmos a aplicar compressas quatro meses depois de adotada a dieta macrobiótica, o aumento do fluxo sanguíneo significará sangue limpo e fresco circulando vigorosamente na região que está sendo tratada. Consequentemente, se há câncer, ele receberá sangue de boa qualidade e se dissolverá mais rápido. No entanto, se alguém sofre de câncer de cólon ou de algum outro câncer na região abdominal, talvez seja mais sábio agir com cautela e esperar que a prática da macrobiótica complete um ano antes de dar início ao tratamento aqui recomendado.

Tenho ouvido pessoas comentarem que a aplicação de duas a quatro compressas por semana acaba cedendo aos órgãos tratados calor excessivo. Contudo, fazendo o máximo de quatro aplicações por semana, chegaremos a um total de duas horas de compressa para as 168 horas da semana. Constatamos, pois, que as horas dedicadas às compressas correspondem a 1,19% das contidas em uma semana, o que dificilmente pode ser considerado exagero.

Além disso, se classificamos todas as doenças do organismo humano em dois grupos; se consistem elas em doenças de muito calor ou doenças de muito frio, isso resulta em que todos os problemas degenerativos são provenientes de muito frio no corpo.

É possível que dois tipos de problemas surjam durante o tratamento. O primeiro deles diz respeito à cor que a pele do abdômen venha a assumir. Embora possa tornar-se mais escura, ela clareará depois de completado o ciclo de compressas. O outro problema refere-se à possibilidade de ocorrer um processo assaz rápido de desintoxicação. Pode ser que os sintomas de descarga se apresentem de forma sufocante. Neste caso, simplesmente ajuste o ritmo das compressas, interrompendo-as temporariamente por poucos dias ou mesmo uma semana ou duas. O ponto-chave, como apontei antes, é realizar a série de 64 compressas, não importando que isso leve 16, 20, 32 ou 40 semanas. Imprescindível é aplicar as compressas sob uma base relativamente consistente e completar o ciclo de 64.







Compressa de Gengibre (Parte Segunda)

Metamorfose 15
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora  Autêntica.
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2532-0084.
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita.



Conforme prometi, publico nesta edição a tradução do texto de  Kaare Bursell intitulado The Ginger Compress. Dada sua extensão, não foi possível, porém, disponibilizá-lo na íntegra numa única publicação: os itens Treatment Instructions, The Activity of the Ginger Compress, During the Treatments e Contra-Indications só serão veiculados na próxima edição.

Tendo em vista o desmembramento do texto, rogo aos leitores que aguardem a publicação da última parte para, aí sim, dar início ao tratamento.

 É imprescindível que leiam as Contraindicações antes de começar as aplicações.

Nesta versão da compressa de gengibre há detalhes que a personalizam. Alguns certamente estranharão as luvas de borracha e as toalhas costuradas, embora facilitem a autoaplicação.

Àqueles que pretendem cruzar a fronteira entre a teoria e a prática, deixo-lhes a sabedoria de um velho adágio japonês: “Só tropeçamos nas pequenas pedras, porque as grandes, avistamo-las logo.” (N. do E.)




                                            A Compressa de Gengibre     
           


Quando alguém é diagnosticado com Estagnação Intestinal Crônica, é natural que queira saber como pode ajudar seus intestinos a se curarem. É mais do que evidente que devemos começar pela mudança de nossos hábitos alimentares, adotando uma dieta baseada em cereais integrais cozidos e vegetais. Contudo, neste caso, mudar somente nossa alimentação não é o bastante.

É dado como certo, ao menos na literatura macrobiótica, que basta substituir carnes, ovos, laticínios, alimentos refinados e industrializados por cereais integrais cozidos e vegetais para ver restaurada nossa função intestinal. E de fato, em muitos casos, quando as pessoas se iniciam na Macrobiótica, uma das primeiras mudanças verificadas é a notável e por vezes surpreendente melhora do movimento peristáltico.

Mas o consumo isolado desses alimentos básicos revela-se impotente para eliminar o muco tóxico entranhado nas paredes intestinais. Na cultura moderna, com sua alimentação desvitalizante característica, não é raro encontrar indivíduos que sofrem, durante toda a vida, de Estagnação Intestinal Crônica. Com o passar dos anos, as paredes intestinais tornam-se cada vez mais obstruídas, cada vez mais congestionadas. Portanto, devemos fazer algo mais do que simplesmente mudar nossa alimentação se quisermos livrar do muco tóxico nossos intestinos.

Admito que não sou o primeiro na história da humanidade a reconhecer o intestino grosso como o órgão mais crítico quando o que está em jogo é uma verdadeira e profunda cura do corpo. Muitos tratamentos foram inventados no decorrer da história na tentativa de remover do intestino o material estagnado, incluindo enemas, colonterapia, tratamentos com argila, programas de limpeza do cólon com ervas e jejuns de vários tipos e modalidades. Nenhum deles, entretanto, consegue curar a Estagnação Intestinal Crônica. Muitos são difíceis de fazer, e alguns até prejudiciais. Acho, por exemplo, que a colonterapia enfraquece as paredes intestinais.

Esses tratamentos são efetivos na eliminação do muco alojado no lúmen ou cavidade dos intestinos. Obter-se-ia, contudo, o mesmo resultado se se adotasse um regime baseado em grãos integrais cozidos e vegetais, dado o alto teor de fibra desses alimentos.

O mais poderoso tratamento que conheço contra a Estagnação Intestinal Crônica conta provavelmente milhares de anos, e foi inventado talvez nos primórdios da história registrada. Também já ouvi que foi criado por um médico budista por volta de 500 aC. Não importa: ao sábio peregrino que primeiro surgiu com a ideia da Compressa de Gengibre, ofereço-lhe minhas preces de gratidão profunda.

Depois dessa longa mas necessária introdução, chegamos à razão de ser deste escrito.


   Itens requeridos para a Compressa

1-       Uma panela com tampa com 4 litros de água.
2-      Gengibre fresco com casca, ralado e envolvido num pano de algodão fino, ou outro tecido de fibra natural, para formar uma boneca. O tanto de gengibre que a palma de sua mão consegue abarcar é o suficiente.

3-      Duas toalhas de tecido natural grosso e aveludado com cerca de 30 cm de largura e 90 cm de comprimento. Podem usar-se também fraldas grossas de algodão.

4-      Uma toalha de banho de algodão.

5-      Um par de grossas luvas de borracha.


Preliminares

Pegue uma das toalhas de tecido natural grosso e aveludado e dobre-a duas vezes, dando-lhe a forma de um quadrado com 30 cm de lado. Com essa configuração, ela cobrirá toda a região de seu abdômen (que vai do esterno ao osso pélvico e de um quadril ao outro). Faça o mesmo com a outra toalha.

Após dobrar as toalhas, costure as bordas soltas de cada uma delas, de modo que as impeça de abrir quando estiver realizando o tratamento.

Deve aplicar-se a compressa com estômago vazio, uma hora antes ou duas horas depois das refeições, em qualquer período do dia. Um conselho prático, entretanto, é fazer o tratamento antes de dormir, e depois de fazê-lo, deixar todo o material na cozinha e ir para cama. Na manhã seguinte, antes do desjejum, esquente a água novamente, assegurando-se de que não alcance o ponto de ebulição, e faça outra aplicação. Assim, uma só panela com a boneca de gengibre ralado prestar-se-á para dois tratamentos.

Depois de aquecida, a água com gengibre reterá o calor por período suficiente para realizar duas, talvez três aplicações, antes de necessitar ser reaquecida. Se quiser assegurar-se de que a água permanecerá quente após tirar a panela do fogão, obtenha uma chapa elétrica. Isso permitirá transferir a panela para o local de aplicação, mantendo o seu conteúdo na temperatura ideal.


Instruções preliminares

Coloque a panela com água sobre a chama do fogão. Enquanto isso, rale a quantidade indicada de gengibre com casca (não use liquidificador, mas ralador!). O método mais indicado para não desperdiçar qualquer porção de gengibre é pôr o pano de algodão fino, que será usado para fazer a boneca, dentro de uma tigela e sobre ele ralar a raiz.

Com a quantidade suficiente de gengibre ralado, junte as quatro pontas do pano de algodão, torça-as e amarre-as com uma tira: você terá agora uma boneca de gengibre ralado. O sumo de gengibre que porventura tiver escapado escorrerá para o fundo do pote.

Neste momento, a água na panela estará perto do ponto de ebulição, se já o não tiver alcançado. Se for esse o caso, e isto é muito importante, desligue a chama e deixe a água parar de ferver, antes de introduzir na panela a boneca de gengibre. Não despreze o sumo que provavelmente passará através da boneca quando pegá-la, tendo o cuidado de derramá-lo na água quente. Se restar sumo de gengibre no fundo do pote sobre o qual foi ralado, acrescente-o também à água quente.

Introduza as duas toalhas dobradas e costuradas na panela com a água de gengibre e deixe-as ali permanecer por um ou dois minutos, cobrindo a panela com a tampa.

Você agora está pronto para fazer a compressa.

Coloque um velho cobertor ou lençol sobre onde quer que você tenha escolhido para fazer a compressa, e deposite ali, sobre jornais (não use jamais plástico), a panela com as toalhas de molho, de modo que o material fique próximo de onde você se deitará. Exponha o abdômen e deixe a toalha seca de algodão, também dobrada na medida para cobrir seu ventre, no seu colo.

Vestindo as luvas de borracha, remova a tampa da panela e pegue uma das toalhas. Torça-a, deixando escorrer o excesso de líquido na panela, e recoloque a tampa sobre ela a fim de manter a temperatura da água.

Com a toalha torcida nas mãos, abra-a e estique-a (ela permanecerá dobrada se você lhe tiver costurado as bordas). Deite-se e aproxime e afaste a toalha quente de seu abdômen. Repita esse processo algumas vezes, sem deixar que a toalha toque diretamente a pele, até que você se acostume com a temperatura e permita que ela permaneça em contato direto com seu abdômen. Feito isso, cubra, com a toalha de banho estendida sobre seu colo, a toalha quente, a fim de preservar-lhe o calor.

Passados de dois a cinco minutos, a toalha com a água de gengibre começará a esfriar. Levante então a toalha de banho, retire a que estava por baixo e retorne com a de banho para cobrir o abdômen e o manter aquecido.

Remova a tampa da panela e reintroduza a toalha usada e já fria para reaquecê-la. Retire a segunda toalha que permaneceu de molho enquanto você aplicava a primeira. Torça-a de maneira que o excesso de água de gengibre retorne para a panela, recoloque a tampa no lugar e repita todo o procedimento. Vá alternado as duas toalhas com água de gengibre quente até transcorrer meia hora. Considere isso uma sessão de tratamento.