segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Macrobiótica e Produtos Animais (Parte Primeira)

Metamorfose 17
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora Autêntica
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2543-0084
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita


Do além-túmulo vem Brás Cubas dizer-nos que, quando vivo, viveu dos mortos, engordando as próprias carnes com as alheias, ou seja, com as carnes de animais abatidos. Tal prática, acrescenta ele, devia-se às tiranias do hábito, pois num dos recantos de sua alma, coberto de afagos, vivia o ideário vegetariano.

As memórias do defunto autor criado por Machado de Assis vieram a lume em 1879. Decorrido mais de século, o vegetarianismo ostenta legiões de seguidores cujas mentes e ventres se deixaram conquistar pela doutrina. (Ao contrário de Brás Cubas, os vegetarianos de hoje não se contentam com ser vegetarianos do tipo platônico: fazem eles valer seus ideais, e muitos sequer não se permitem tocar em derivados do reino animal.)

Duas talvez sejam as principais causas do crescimento inaudito do vegetarianismo. Destacam-se, em primeiro lugar, as fortes evidências acerca dos danos causados à saúde humana pelo consumo exagerado de produtos animais. Em segundo lugar, ressaltam-se as modernas técnicas de criação animal que, pela violência e crueldade empregadas, nos fazem perguntar se ainda sobrevive nos homens algum traço, por menor que seja, de humanidade.

Ao mesmo tempo que se deve celebrar esse triunfo do vegetarianismo, deve-se atentar para as preconceituosas significações que os termos “vegetariano” e “não vegetariano” passaram a assumir. Muitos se atribuem qualidades seráficas só porque deixaram de ingerir alimentos de origem animal; e, em contrapartida, imputam aos não vegetarianos – independente da quantidade e qualidade dos produtos animais por eles consumidos – toda espécie existente de inclinação demoníaca.


Entre tantos acertos, o artigo de Carl Ferré ora publicado denuncia esse tipo de dualismo. Assimilado o texto, funda-se em nós a certeza de que a única doença realmente ameaçadora atende pelo nome de exclusivismo. (N. do E.)



Macrobiótica e Produtos Animais
(Parte Primeira)
                                                                                                                                                   Carl Ferré


Chamava-se Joe. E o que o infernizava era um problema crônico no pescoço. Seguiu religiosamente a macrobiótica durante uns anos, mas o incômodo não cedeu aos influxos curativos do arroz e dos vegetais. Na verdade, o problema agravou-se.

Joe decidiu deixar o Texas e ir a Boston para consultar-se com Michio Kushi. Os conselhos de Michio, porém, não surtiram efeito. Tentou então os conselhos de Herman Aihara, que tiveram o mesmo destino dos de Michio. Ao fim e ao cabo, já não podia Joe virar a cabeça sem ter de virar o corpo inteiro: o pescoço parecia-lhe soldado aos ombros.

Joe peregrinou por consultórios mas não encontrou alívio. Finalmente, um médico lhe sugeriu um especialista na Carolina do Norte. Este último diagnosticou o problema como uma desordem óssea extremamente rara, e indicou-lhe a solução: frango! O especialista explicou-lhe que seus ossos estavam deteriorando e que havia algo no frango (e somente nele) que podia curar sua condição.

Joe e eu éramos íntimos. Eu o conheci em 1975, antes de seu problema aparecer. Praticamos macrobiótica juntos. Ele era bastante extrovertido e brincalhão – o sujeito perfeito para animar qualquer festa. Em 1978, mudei-me para a Califórnia com o fito de trabalhar na George Ohsawa Macrobiotic Foundation, e vi-o pela última vez em 1983, durante uma visita ao Texas. Ele encontrava-se completamente curado e voltara a ser o velho Joe, alegre e encantador. Perguntei-lhe como se havia curado. Ele relatou a história que resumi acima, e respondeu: “Eu abandonei a macrobiótica e comecei a comer frango.”

“Não burle a si próprio”, disse eu sem refletir, “você se tornou macrobiótico assim que passou a ingerir aquilo de que seu corpo necessitava.” Mas a ideia de que frango não condiz com macrobiótica deitara-lhe no espírito raízes tão profundas, que não havia jeito de ele compreender-me. Entretanto, a meu ver foi ele mais macrobiótico quando aceitou sua necessidade de ingerir frango do que quando persistiu numa dieta inflexível que em nada o ajudou.


ANTECEDENTES


Enquanto uns incluem produtos animais em sua prática macrobiótica, outros não o fazem. Alguns indivíduos acreditam poder usar produtos animais como parte de uma dieta saudável. Outros, ao contrário, defendem que produtos animais, excetuando-se peixe e frutos do mar, deveriam ser evitados completamente. Em suma, há aqueles que são mais inclusivos e há aqueles que são mais exclusivos.

Há razões convincentes para restringir ou evitar produtos animais que não peixes e frutos do mar, e as há também para não excluí-los da macrobiótica. Hoje, os inconvenientes de ingerir produtos animais são bem maiores do que antes. O maior inconveniente, contudo, é fazer da filosofia macrobiótica um simulacro de si mesma, reduzindo-a a uma dieta terapêutica.

Este artigo apresenta os prós e os contras da inclusão de produtos animais na prática e na teoria macrobiótica. Observe-se que daqui em diante a expressão “produtos animais” indica aqueles produtos que não provêm do ambiente marinho.

A confusão acerca do papel dos produtos animais na prática macrobiótica começou com a bibliografia macrobiótica. O livro Macrobiótica Zen, publicado em 1960, expõe com detalhes os conselhos dietéticos de George Ohsawa. Na mais famosa obra do sensei, vemos estampados os dez modos de alimentar-se a fim de alcançar e manter a saúde: cinco são caminhos vegetarianos e cinco toleram produtos animais. A lista de alimentos elaborada por Ohsawa inclui produtos como frango, peru, ovos e laticínios.


Por outro lado, Ohsawa deixa claro que produtos animais não são necessários para uma vida saudável. Ele acreditava que esses produtos inibiam o desenvolvimento espiritual, e encorajava-nos a alcançar um estágio em que não precisássemos mais ingeri-los. Quero crer que Ohsawa incluiu alimentos de origem animal em sua lista tendo em mente dois objetivos. Em primeiro lugar, para evitar que a macrobiótica se reduzisse à observância de um conjunto de regras rígidas. Em segundo lugar, para impedir que indivíduos que não abriam mão de ingerir produtos animais se afastassem da macrobiótica. Ohsawa desejava que a macrobiótica fosse o mais inclusiva possível. Ele abominava qualquer forma de exclusivismo.

Em seus escritos dos anos setenta, Herman e Cornellia Aihara arrolaram os produtos animais na categoria dos alimentos desejosos, cuja ingestão se deveria restringir a ocasiões especiais. Cornellia de fato serviu peru e outros produtos animais no dia de Ação de Graças durante muitos anos, e publicou as receitas em seu Calendar Cookbook. Ohsawa e Aihara oferecem diretrizes para o uso adequado desses alimentos, as quais incluem o uso ocasional em pequenas quantidades de animais criados livremente e alimentados organicamente. Ambos insistiram em que produtos animais não são necessários para uma vida saudável.

As considerações sobre o uso de produtos animais na prática macrobiótica tomaram outra direção com os escritos de Michio e Aveline Kushi na década de oitenta. Em Standard Macrobiotic Diet, Michio Kushi os inclui, com exceção dos peixes e frutos do mar, entre os alimentos a serem evitados. Depois de escrever que uma pequena quantidade de peixe ou frutos do mar poderia ser servida poucas vezes durante a semana, Aveline Kushi, em seu Complete Guide to Macrobiotic Cooking (de 1985), acrescenta: “Outros alimentos de origem animal, incluindo carne, aves, ovos e laticínios, deveriam ser estritamente evitados.”

Este afastamento das diretrizes de Ohsawa deu início à observância mecânica a um conjunto de regras rígidas, observância que denuncia um tipo de comportamento que Ohsawa jamais desejou fosse assumido pelos macrobióticos.

Hoje, muitos educadores macrobióticos e praticantes seguem as prescrições de Aveline e evitam completamente carne, aves, ovos e laticínios. Além disso, muitos acreditam e ensinam que esses alimentos não fazem parte da dieta macrobiótica. Quando os estudantes se defrontam com os escritos de Ohsawa e Aihara, ficam eles no mínimo confusos e se perguntam: “Afinal de contas, a macrobiótica abrange produtos animais ou não?”

A macrobiótica, que no fundo quer dizer “vida ampla”, é generosa o bastante para acolher tanto os que fazem uso de produtos animais quanto os que não fazem. Os princípios macrobióticos ensinam que todos os opostos ou antagonismos são também complementares. Podemos unificar pessoas que acreditam na compatibilidade entre uma dieta saudável e o uso de produtos animais, e pessoas que postulam a restrição absoluta desses produtos. Pessoalmente, aprecio e apoio ambas as posições; advirto, entretanto, em que ambas apresentam problemas.


PROBLEMAS COM A INCLUSÃO DE PRODUTOS ANIMAIS


Afirmar que produtos animais são permitidos pode gerar confusão. A dieta macrobiótica é primordialmente vegetariana – o uso ocasional de pequenas quantidades de animais alimentados organicamente e criados livremente, ou de produtos deles derivados, não constitui uma negação deste princípio. Note-se ainda que Ohsawa e Aihara jamais toleraram as abusivas e cruéis técnicas de criação animal.

Aqueles que excluem produtos animais alegam que aceitá-los, mesmo em pequenas quantidades, induziria as pessoas a ingeri-los quando e o quanto desejassem. Não penso assim. Ohsawa e Aihara não cansaram de chamar a atenção para os perigos de ingerir produto animal, dada principalmente a qualidade de tais alimentos na época deles. E quão mais perigosos eles se tornaram nos dias atuais! As advertências de Ohsawa e Aihara sobre o uso irrefletido e descontrolado de produtos animais não perderam, absolutamente, sua validade e relevância.

Há um mito atuante nos círculos macrobióticos que merece menção. Alguns praticantes, por excluírem produtos animais, acreditam-se detentores de um espírito ou julgamento mais desenvolvido ou de qualquer qualidade que os torna superiores àqueles que não são vegetarianos. Alguns até se recusam a sentar à mesa com pessoas que ingerem produtos animais, sem se darem ao trabalho de averiguar a quantidade e a qualidade desses alimentos.

O que está por trás da decisão de comer ou não produtos animais é igualmente importante. Um dos princípios da macrobiótica é a não exclusividade, ou melhor, a aceitação dos outros, do diferente. Ser capaz de aceitar as decisões dos outros é fundamental, especialmente se considerarmos que a maioria de nós possui parentes e amigos que ingerem carne.

Outro argumento a favor da exclusão dos alimentos de origem animal é que a maioria das pessoas começa a praticar macrobiótica com o objetivo de sanar alguma doença. Pessoas com problemas de saúde precisam – em geral, mas nem sempre - evitar produtos animais para se curarem. É claro que em algum momento se verificou que era incomparavelmente mais fácil recomendar a todas as pessoas a exclusão de produtos animais do que ensiná-las o uso apropriado deles. Mas, embora haja muitas razões para restringir o consumo de grande parte dos produtos animais, a proibição tem causado confusão e tem prejudicado a macrobiótica de muitas maneiras. O maior dano, a meu ver, é o incentivo a uma prática mecânica da macrobiótica, quando o objetivo maior é o aprendizado do Princípio Unificador.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O VENENO ESTÁ NA MESA


www.youtube.com
Documentário da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, realizado pelo cineasta brasileiro Silvio Tendler.

O documentário “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler – lançado dia 25/7, no Teatro Casa Grande – disponível seguintes links (ajudem a divulgar!):
Parte - 1 http://www.youtube.com/watch?v​=WYUn7Q5cpJ8&NR=1
Parte - 2 http://www.youtube.com/watch?v​=NdBmSkVHu2s&feature=related
Parte - 3 http://www.youtube.com/watch?v​=5EBJKZfZSlc&feature=related
Parte - 4 http://www.youtube.com/watch?v​=AdD3VPCXWJA&feature=related

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Compressa de Gengibre (Parte Terceira)


Metamorfose 16
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora Autêntica.
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2543-0084.
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita.



Com esta edição, completa-se a série dedicada à Compressa de Gengibre no Abdômen. Na publicação nº 14, divulgou-se a carta de Isabel Carrasco na qual relata sua experiência com o tratamento. A publicação subsequente pôs à disposição dos interessados os detalhes para aplicar o ciclo de 64 compressas. Nesta, que agora lançamos, caro leitor, encontrarás as razões por que o sistema funciona, as contraindicações e o modo de agir quando possíveis problemas surgirem durante as aplicações.

Entre os assuntos ora desenvolvidos, a explicação dada por Kaare Bursell sobre o funcionamento da compressa não deixa de surpreender, sobretudo quando lança mão da teoria das três forças. Para ele, a compressa surte efeito graças à presença simultânea das forças intrínsecas yin e yang do gengibre e da terceira força extrínseca representada, neste caso, pelo calor. É a velha história que se repete desde Lao-Tsé: do Três – duas forças congênitas aliadas a uma terceira que vem de fora – se originam todas as coisas.

Com o artigo de Kaare disponível na íntegra, só nos resta agora ultrapassar a teoria e partir para o seu oposto complementar. Como disse certa vez uma nossa promissora liderança, “A única coisa que realmente importa é a prática”. A ela, portanto! (N. do E.)







A Compressa de Gengibre



Instruções para o Tratamento

Recomendo que as compressas sejam feitas 64 vezes, de duas a quatro vezes por semana. Isto constitui um ciclo de compressas; pode não ser, e geralmente não é, o suficiente para proporcionar a reabilitação completa dos intestinos.

Se você chegar à conclusão de que seus intestinos necessitam de mais compressas, aconselho esperar de seis a oito semanas para então iniciar outro ciclo de 64 aplicações. Acredito ser necessário, genericamente falando, três ciclos de 64 compressas cada para reabilitar completamente os intestinos. Também recomendo que esses três ciclos sejam realizados dentro de um período de dois anos.

Não se deve supor que aplicar compressas numa frequência maior do que a aqui recomendada trará resultados mais rápidos. Não se iludam: os intestinos têm seu próprio tempo de reabilitação, de modo que, mais do que nunca, é necessário paciência. Minha experiência diz que, para se recuperarem, os intestinos levam no mínimo dois anos e no máximo sete. A frequência de duas a quatro compressas por semana também não é obrigatoriedade. O importante é fazer 64 compressas por ciclo. Férias, compromissos extraordinários ou qualquer outro motivo podem representar uma pausa de uma ou duas semanas. Mas deixar de fazê-las por até duas semanas não constitui problema algum, desde que se recomece levando em conta o número de compressas já realizadas.

A razão de ser necessário tantas compressas para a reabilitação dos intestinos é que a Estagnação Intestinal Crônica se desenvolve ao longo de muitos anos, às vezes décadas. Quanto mais demoramos a descobrir a Estagnação Intestinal Crônica, mais obstinada e empedernida ela se torna. Por conseguinte, mais compressas se fazem necessárias e mais perseverança e regularidade são de nós exigidas, a fim de que alcancemos os efeitos desejados.

Também recomendo que, uma vez reabilitados os intestinos, se realizem de dez a vinte compressas no período de um ano ou pouco mais. É claro que isso dependerá de uma diagnose facial para determinar a condição dos intestinos. No que diz respeito às crianças, é melhor esperar que completem sete anos para aplicar-lhes o tratamento. (Hoje em dia as crianças já nascem com Estagnação Intestinal Crônica, tendo em vista a dieta "moderna” de suas mães durante a gravidez).

A ação do gengibre é impressionante. Trata-se de uma raiz (energia descendente) que apresenta também um forte olor dispersivo quando ralada (energia ascendente). Esta característica potencializa o calor e o movimento. Durante a compressa, a energia descendente penetra profundamente nos órgãos, assim como lhes atravessa as paredes. A propriedade dispersiva, multiplicando por dez a atividade circulatória, ajuda a dissolver acumulações endurecidas que, por vezes, já contam cinquenta anos. O aumento da circulação também auxilia a eliminação desses excessos, proporcionando ao organismo o retorno aos ritmos naturais de funcionamento. Comer criteriosamente durante esse período é muito importante, a fim de que se não reduza a velocidade do processo de purificação. Descargas também podem ocorrer nessa fase, o que talvez o inspire a procurar um orientador experiente. Jamais aplique a compressa de gengibre sobre o cérebro, em crianças, durante febres altas ou gravidez, ou sobre qualquer área inflamada ou cancerosa.

A Ação da Compressa de Gengibre

A Compressa de Gengibre funciona por causa das forças etéricas da raiz de gengibre e do calor. Da perspectiva do Princípio Unificador, a raiz de gengibre apresenta uma notável atividade yang. Isso quer dizer que ela possui uma forte energia descendente, penetrante.

Por outro lado, quando ralamos a raiz de gengibre, verificamos seu aroma se espalhar poderosamente pelo ambiente, comprovando sua inquestionável energia dispersiva, expansiva. A razão disso está em que a raiz de gengibre cresce horizontalmente sob o solo, o que indica ser ela mais influenciada pela energia yin do que, por exemplo, a bardana ou a cenoura, que crescem verticalmente para baixo. É esta energia yin a responsável por suas propriedades dispersivas, as quais são ainda realçadas quando ralamos diligentemente a raiz.

A água aquecida com gengibre assimila as forças etéricas presentes na raiz. Ao aplicar a compressa no abdômen, utilizando a toalha deixada de molho na água, aquelas forças etéricas ficam concentradas na cavidade onde repousam os intestinos. De um lado, em razão da atividade yang do gengibre, elas penetram os tecidos da região; de outro, em virtude da atividade yin da raiz, elas dissolvem o muco tóxico acumulado justamente naqueles tecidos. Além disso, as forças etéricas do gengibre estimulam as forças etéricas dos intestinos, ativando-lhes as funções.

O calor proporcionado pela compressa estimula a circulação do sangue e dos fluidos na área tratada, o que concorre para a eliminação das toxinas.

A combinação dessas três forças – as forças penetrante (yang) e dispersiva (yin) do gengibre aliadas ao calor - permite que os tecidos da parede intestinal recebam sangue limpo e revitalizado pela primeira vez após anos ou décadas (se tivermos, é claro, adotado simultaneamente cereais integrais e vegetais como alimento diário básico). O resultado é a regeneração dos tecidos e, consequentemente, a restauração das atividades intestinais.


Durante o Tratamento

Como efeito do tratamento, o muco tóxico é gradativamente dissolvido e descarregado na corrente sanguínea. O que experimentamos durante esse processo depende de vários fatores.

Incluem-se entre os sintomas mais brandos de purificação a perda de peso, a fadiga, o aumento da eliminação intestinal e da urinação. Entre os sintomas mais intensos estão as descargas nasais, as dores de garganta, a tosse, a febre, a constipação e a diarreia, vários tipos de dor, erupções cutâneas em diversas partes do corpo e dor de cabeça. Se acompanhados de bom apetite, bom sono e vitalidade – sem a presença de náuseas – esses signos indicam que o processo de cura caminha normalmente.


Contraindicações

Não se deve aplicar a compressa de gengibre sobre o abdômen nos seguintes casos:

- durante a gravidez e amamentação (mas pode ser ela feita durante a menstruação);

- se há inflamação abdominal, peritonite ou pneumonia;

- sobre o cérebro;

- em crianças pequenas;

- quando há febre alta;

- se há câncer na região abdominal, embora a compressa possa ser aplicada sem perigo se o câncer estiver presente em outras partes do corpo.

Na literatura macrobiótica sobre a compressa de gengibre encontram-se advertências como “Considerações especiais para pacientes com câncer” e registros da cataplasma de inhame. Nessas advertências lê-se que os pacientes com câncer não deveriam fazer a compressa por mais de cinco minutos sobre a região afetada. A razão alegada é que o aumento da circulação sanguínea provocado pela compressa levaria ao crescimento do câncer.

Isto só é verdade, entretanto, se o sangue ainda se mostra intoxicado. Quando alguém inicia a macrobiótica, em dez dias o plasma sanguíneo (o fluido no qual as células do sangue se encontram) é renovado; de trinta a sessenta dias todas as células brancas do sangue são novamente criadas; e em 120 dias todas as células vermelhas do sangue são de novo geradas.

Teoricamente, portanto, se começarmos a aplicar compressas quatro meses depois de adotada a dieta macrobiótica, o aumento do fluxo sanguíneo significará sangue limpo e fresco circulando vigorosamente na região que está sendo tratada. Consequentemente, se há câncer, ele receberá sangue de boa qualidade e se dissolverá mais rápido. No entanto, se alguém sofre de câncer de cólon ou de algum outro câncer na região abdominal, talvez seja mais sábio agir com cautela e esperar que a prática da macrobiótica complete um ano antes de dar início ao tratamento aqui recomendado.

Tenho ouvido pessoas comentarem que a aplicação de duas a quatro compressas por semana acaba cedendo aos órgãos tratados calor excessivo. Contudo, fazendo o máximo de quatro aplicações por semana, chegaremos a um total de duas horas de compressa para as 168 horas da semana. Constatamos, pois, que as horas dedicadas às compressas correspondem a 1,19% das contidas em uma semana, o que dificilmente pode ser considerado exagero.

Além disso, se classificamos todas as doenças do organismo humano em dois grupos; se consistem elas em doenças de muito calor ou doenças de muito frio, isso resulta em que todos os problemas degenerativos são provenientes de muito frio no corpo.

É possível que dois tipos de problemas surjam durante o tratamento. O primeiro deles diz respeito à cor que a pele do abdômen venha a assumir. Embora possa tornar-se mais escura, ela clareará depois de completado o ciclo de compressas. O outro problema refere-se à possibilidade de ocorrer um processo assaz rápido de desintoxicação. Pode ser que os sintomas de descarga se apresentem de forma sufocante. Neste caso, simplesmente ajuste o ritmo das compressas, interrompendo-as temporariamente por poucos dias ou mesmo uma semana ou duas. O ponto-chave, como apontei antes, é realizar a série de 64 compressas, não importando que isso leve 16, 20, 32 ou 40 semanas. Imprescindível é aplicar as compressas sob uma base relativamente consistente e completar o ciclo de 64.







Compressa de Gengibre (Parte Segunda)

Metamorfose 15
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora  Autêntica.
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2532-0084.
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita.



Conforme prometi, publico nesta edição a tradução do texto de  Kaare Bursell intitulado The Ginger Compress. Dada sua extensão, não foi possível, porém, disponibilizá-lo na íntegra numa única publicação: os itens Treatment Instructions, The Activity of the Ginger Compress, During the Treatments e Contra-Indications só serão veiculados na próxima edição.

Tendo em vista o desmembramento do texto, rogo aos leitores que aguardem a publicação da última parte para, aí sim, dar início ao tratamento.

 É imprescindível que leiam as Contraindicações antes de começar as aplicações.

Nesta versão da compressa de gengibre há detalhes que a personalizam. Alguns certamente estranharão as luvas de borracha e as toalhas costuradas, embora facilitem a autoaplicação.

Àqueles que pretendem cruzar a fronteira entre a teoria e a prática, deixo-lhes a sabedoria de um velho adágio japonês: “Só tropeçamos nas pequenas pedras, porque as grandes, avistamo-las logo.” (N. do E.)




                                            A Compressa de Gengibre     
           


Quando alguém é diagnosticado com Estagnação Intestinal Crônica, é natural que queira saber como pode ajudar seus intestinos a se curarem. É mais do que evidente que devemos começar pela mudança de nossos hábitos alimentares, adotando uma dieta baseada em cereais integrais cozidos e vegetais. Contudo, neste caso, mudar somente nossa alimentação não é o bastante.

É dado como certo, ao menos na literatura macrobiótica, que basta substituir carnes, ovos, laticínios, alimentos refinados e industrializados por cereais integrais cozidos e vegetais para ver restaurada nossa função intestinal. E de fato, em muitos casos, quando as pessoas se iniciam na Macrobiótica, uma das primeiras mudanças verificadas é a notável e por vezes surpreendente melhora do movimento peristáltico.

Mas o consumo isolado desses alimentos básicos revela-se impotente para eliminar o muco tóxico entranhado nas paredes intestinais. Na cultura moderna, com sua alimentação desvitalizante característica, não é raro encontrar indivíduos que sofrem, durante toda a vida, de Estagnação Intestinal Crônica. Com o passar dos anos, as paredes intestinais tornam-se cada vez mais obstruídas, cada vez mais congestionadas. Portanto, devemos fazer algo mais do que simplesmente mudar nossa alimentação se quisermos livrar do muco tóxico nossos intestinos.

Admito que não sou o primeiro na história da humanidade a reconhecer o intestino grosso como o órgão mais crítico quando o que está em jogo é uma verdadeira e profunda cura do corpo. Muitos tratamentos foram inventados no decorrer da história na tentativa de remover do intestino o material estagnado, incluindo enemas, colonterapia, tratamentos com argila, programas de limpeza do cólon com ervas e jejuns de vários tipos e modalidades. Nenhum deles, entretanto, consegue curar a Estagnação Intestinal Crônica. Muitos são difíceis de fazer, e alguns até prejudiciais. Acho, por exemplo, que a colonterapia enfraquece as paredes intestinais.

Esses tratamentos são efetivos na eliminação do muco alojado no lúmen ou cavidade dos intestinos. Obter-se-ia, contudo, o mesmo resultado se se adotasse um regime baseado em grãos integrais cozidos e vegetais, dado o alto teor de fibra desses alimentos.

O mais poderoso tratamento que conheço contra a Estagnação Intestinal Crônica conta provavelmente milhares de anos, e foi inventado talvez nos primórdios da história registrada. Também já ouvi que foi criado por um médico budista por volta de 500 aC. Não importa: ao sábio peregrino que primeiro surgiu com a ideia da Compressa de Gengibre, ofereço-lhe minhas preces de gratidão profunda.

Depois dessa longa mas necessária introdução, chegamos à razão de ser deste escrito.


   Itens requeridos para a Compressa

1-       Uma panela com tampa com 4 litros de água.
2-      Gengibre fresco com casca, ralado e envolvido num pano de algodão fino, ou outro tecido de fibra natural, para formar uma boneca. O tanto de gengibre que a palma de sua mão consegue abarcar é o suficiente.

3-      Duas toalhas de tecido natural grosso e aveludado com cerca de 30 cm de largura e 90 cm de comprimento. Podem usar-se também fraldas grossas de algodão.

4-      Uma toalha de banho de algodão.

5-      Um par de grossas luvas de borracha.


Preliminares

Pegue uma das toalhas de tecido natural grosso e aveludado e dobre-a duas vezes, dando-lhe a forma de um quadrado com 30 cm de lado. Com essa configuração, ela cobrirá toda a região de seu abdômen (que vai do esterno ao osso pélvico e de um quadril ao outro). Faça o mesmo com a outra toalha.

Após dobrar as toalhas, costure as bordas soltas de cada uma delas, de modo que as impeça de abrir quando estiver realizando o tratamento.

Deve aplicar-se a compressa com estômago vazio, uma hora antes ou duas horas depois das refeições, em qualquer período do dia. Um conselho prático, entretanto, é fazer o tratamento antes de dormir, e depois de fazê-lo, deixar todo o material na cozinha e ir para cama. Na manhã seguinte, antes do desjejum, esquente a água novamente, assegurando-se de que não alcance o ponto de ebulição, e faça outra aplicação. Assim, uma só panela com a boneca de gengibre ralado prestar-se-á para dois tratamentos.

Depois de aquecida, a água com gengibre reterá o calor por período suficiente para realizar duas, talvez três aplicações, antes de necessitar ser reaquecida. Se quiser assegurar-se de que a água permanecerá quente após tirar a panela do fogão, obtenha uma chapa elétrica. Isso permitirá transferir a panela para o local de aplicação, mantendo o seu conteúdo na temperatura ideal.


Instruções preliminares

Coloque a panela com água sobre a chama do fogão. Enquanto isso, rale a quantidade indicada de gengibre com casca (não use liquidificador, mas ralador!). O método mais indicado para não desperdiçar qualquer porção de gengibre é pôr o pano de algodão fino, que será usado para fazer a boneca, dentro de uma tigela e sobre ele ralar a raiz.

Com a quantidade suficiente de gengibre ralado, junte as quatro pontas do pano de algodão, torça-as e amarre-as com uma tira: você terá agora uma boneca de gengibre ralado. O sumo de gengibre que porventura tiver escapado escorrerá para o fundo do pote.

Neste momento, a água na panela estará perto do ponto de ebulição, se já o não tiver alcançado. Se for esse o caso, e isto é muito importante, desligue a chama e deixe a água parar de ferver, antes de introduzir na panela a boneca de gengibre. Não despreze o sumo que provavelmente passará através da boneca quando pegá-la, tendo o cuidado de derramá-lo na água quente. Se restar sumo de gengibre no fundo do pote sobre o qual foi ralado, acrescente-o também à água quente.

Introduza as duas toalhas dobradas e costuradas na panela com a água de gengibre e deixe-as ali permanecer por um ou dois minutos, cobrindo a panela com a tampa.

Você agora está pronto para fazer a compressa.

Coloque um velho cobertor ou lençol sobre onde quer que você tenha escolhido para fazer a compressa, e deposite ali, sobre jornais (não use jamais plástico), a panela com as toalhas de molho, de modo que o material fique próximo de onde você se deitará. Exponha o abdômen e deixe a toalha seca de algodão, também dobrada na medida para cobrir seu ventre, no seu colo.

Vestindo as luvas de borracha, remova a tampa da panela e pegue uma das toalhas. Torça-a, deixando escorrer o excesso de líquido na panela, e recoloque a tampa sobre ela a fim de manter a temperatura da água.

Com a toalha torcida nas mãos, abra-a e estique-a (ela permanecerá dobrada se você lhe tiver costurado as bordas). Deite-se e aproxime e afaste a toalha quente de seu abdômen. Repita esse processo algumas vezes, sem deixar que a toalha toque diretamente a pele, até que você se acostume com a temperatura e permita que ela permaneça em contato direto com seu abdômen. Feito isso, cubra, com a toalha de banho estendida sobre seu colo, a toalha quente, a fim de preservar-lhe o calor.

Passados de dois a cinco minutos, a toalha com a água de gengibre começará a esfriar. Levante então a toalha de banho, retire a que estava por baixo e retorne com a de banho para cobrir o abdômen e o manter aquecido.

Remova a tampa da panela e reintroduza a toalha usada e já fria para reaquecê-la. Retire a segunda toalha que permaneceu de molho enquanto você aplicava a primeira. Torça-a de maneira que o excesso de água de gengibre retorne para a panela, recoloque a tampa no lugar e repita todo o procedimento. Vá alternado as duas toalhas com água de gengibre quente até transcorrer meia hora. Considere isso uma sessão de tratamento.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ginger Compress

Compressa de Gengibre (Parte Primeira)

Metamorfose 14
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora Autêntica.
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2532-0084.
 Edição, redação, revisão e tradução:  Laercio de Vita.





Veio-me ao conhecimento o livro de Kaare Bursell, The End of Medicine, graças ao comentário que sobre ele fez Julia Ferré na Macrobiotics Today de setembro/outubro de 2009. Segundo Julia, encontram-se no livro sugestões para estimular o corpo a curar-se a si próprio. Em particular, expõe por que e como aplicar a compressa de gengibre sobre o abdômen.

A fiarmo-nos em Julia, Kaare renova e expande a compreensão que temos dessa antiga técnica. A comentadora, ainda que usuária de longa data da compressa, não hesita em declarar: “Após ler o livro, disponho de outra visão sobre a validade desse tratamento”.

Lê-se no comentário que a principal ideia da obra é que o corpo detém a sabedoria necessária para curar-se. Caso as condições fundamentais estejam presentes, a cura pode, irradiando-se, transcender o próprio corpo e alcançar o espírito. Dieta e compressa – a primeira proporcionando os nutrientes adequados e a segunda dissolvendo a estagnação no intestino delgado – formam o substratum que permitirá não só ao corpo, mas também à mente e ao espírito renovarem-se.

Nos círculos esotéricos não é nova a noção de  que   corpo  e  espírito  constituem   uma unidade. Há entre eles como que uma relação especular: o que acontece num desses reinos reflete simultaneamente no outro.

Kaare, ledor entusiasmado de Rudolph Steiner, trouxe para a Macrobiótica os conhecimentos que hauriu nas obras do fundador da Antroposofia. E o resultado é surpreendente e algo assustador: se, por exemplo, nosso espírito se encontra preso a experiências do passado e não consegue libertar-se para o novo, a causa pode estar no mais profundo do nosso corpo, ou seja, na sujidade presa no interior de nossos intestinos.

Por tratar de enfoque tão inovador nos meios macrobióticos, o comentário de Julia obteve a merecida repercussão. Na edição seguinte de Macrobiotics Today, correspondente ao último bimestre de 2009, entre tantos artigos que nada acrescentam, a carta de uma leitora se faz ouvir. Relata-nos ela sua experiência com o método preconizado por Kaare. Dada a importância desse relato, resolvi traduzi-lo e publicá-lo. Prometo para a próxima edição a tradução do trecho do livro de Kaare dedicado à sua recriação da compressa de gengibre. Até lá!  (N. do E.)
                       





Carta de Isabel Carrasco ao editor da Macrobiotics Today, Carl Ferré, em que relata sua experiência com a Compressa de Gengibre.




Prezado Carl,

Obrigada pela resenha de Julia sobre o livro The End of  Medicine de Kaare Bursell e pelo trecho da mesma obra publicados na edição de setembro/outubro de 2009 da Macrobiotics Today.

O poder da compressa de gengibre é de fato assombroso. Aprendi a aplicá-la com Nini Koshen no Kushi Institute da Holanda – um dos poucos lugares que conheço onde a ensinam sistematicamente.

Fiquei tão impressionada com seus efeitos, que saí em busca de mais informações. Pesquisando, descobri o site www.thealchemistpages.com, mantido por Kaare Bursell. Kaare recomenda aplicar uma série de 64 compressas de gengibre sobre o abdômen. Com esse método, afirma, consegue-se livrar-se da Estagnação Intestinal Crônica que a todos afeta.

Venho ingerindo grãos e vegetais há mais de quinze anos: evidentemente não sou uma candidata à Estagnação Intestinal Crônica, certo? Errado! De acordo com Kaare, experimentamos uma melhora tão considerável do movimento intestinal após iniciar a dieta macrobiótica, que equivocadamente pensamos que tudo corre às mil maravilhas; entretanto, movimentos regulares dos intestinos não significam obrigatoriamente intestinos livres de estagnação.

Tendo de reconhecer que a certa altura minha prática já não progredia a contento, decidi dar início às compressas.

Depois de aplicar algumas compressas sobre o abdômen, senti uma vontade irresistível de  limpar  a  casa. Não qualquer limpeza, veja  bem, mas uma limpeza profunda.   Comecei a esvaziar os armários e  a desvencilhar-me  dos  velhos objetos ou daquilo de que já não necessitava. Já havia tentado algo semelhante antes, mas sempre encontrava desculpas para manter a quinquilharia a salvo. Mas dessa vez consegui livrar-me dos objetos facilmente: de repente senti-me pronta para renunciar a antigas possessões, tais como livros, roupas, sapatos e equipamentos de cozinha que já não me eram úteis. Seria toda essa limpeza exterior uma metáfora da limpeza do muco tóxico que se estava processando no interior de meus intestinos?

Embora satisfeita, continuei fazendo as compressas: se nada mais conseguisse, no mínimo já podia contar com uma casa mais limpa e organizada. Foi então que passei a sonhar com eventos pretéritos carregados de emoções – e os sonhos eram extremamente reais. Em seu livro, Kaare observa que os eventos profundamente dolorosos ficam de fato gravados ou “impressos” no material estagnado, e que este material atua como um médium no qual os eventos em questão são holograficamente impressos. Quem sabe os sonhos não significavam que a estagnação estava se desalojando e deixando finalmente meu corpo.

Ainda tenho feito compressas, e a última coisa que experimentei foi a melhora milagrosa de minha visão. Uso óculos há anos, de modo que tirá-los era como despir-me, ou seja, algo que não faria em público. Mas agora, inesperadamente, sinto cada vez menos necessidade deles.

The End of Medicine é, na minha opinião,  um dos mais importantes livros já escritos sobre Macrobiótica. Seriam as compressas de gengibre sobre o abdômen o estímulo de que o movimento macrobiótico tanto precisa? Experimentemo-las!




terça-feira, 21 de junho de 2011

Sal, função dos rins e banhos de sal

Metamorfose 13
Publicação do Restaurante Metamorfose Alimentação Recondicionadora Autêntica
Rua Santa Luzia 405/207, Castelo, Rio de Janeiro. Tels.: 2262-6306 e 2532-0084
Edição, redação, revisão e tradução: Laercio de Vita

Sal, função dos rins e banhos de sal
                                                                                                                                         por Herman Aihara

Há cerca de vinte anos, decidimos, minha mulher e eu, divulgar nosso trabalho para além dos limites da Califórnia. Para tanto, voamos do Texas a Toronto, de Miami a Vancouver. E assim o fizemos por cinco anos, reservando dois meses a cada verão. Durante as viagens, ceávamos em casa dos organizadores dos eventos. Invariavelmente, a sopa de missô que nos serviam, sabia-me insossa. Perguntando-lhes por que não a temperavam com mais missô, obtinha eu a instantânea resposta: eram eles muito sensíveis ao sal, por conta da constituição mais yang, se comparada à dos japoneses. Contudo, após anos de prática macrobiótica, a sopa de missô desses mesmos indivíduos transformou-se gradualmente e assumiu o estilo mais forte que tanto aprecio. Considero tal mudança admirável.

Em minha longa prática de orientador macrobiótico, topei com várias pessoas que diziam estar seguindo uma dieta sem sal por conselho médico. Na verdade, havia um temor generalizado com relação ao sal. A revista Time chegou mesmo a publicar um artigo taxando o sal de inimigo número um da saúde pública. A reportagem baseava-se na crença de que o sal causava pressão alta, ignorando completamente os estudos do Dr. William Conners da Oregon Health Sciences University. O Dr. Conners havia provado que o sal pode, ao contrário, reduzir a pressão alta, e que dietas sem sal são ineficazes nesses casos. Pode-se, a partir daí, deduzir a presença de outro fator nas ocorrências de pressão alta.

Alguém que aderiu a uma dieta com pouco ou nenhum sal – ao menos foi isso que verifiquei em décadas de orientação - sofre frequentemente de um ou mais dos seguintes sintomas: insônia, dor nos rins, fadiga, infecções crônicas, ausências de sucos digestivos no estômago ou sintomas alérgicos. Tais sintomas, afirmo fundamentado em minha experiência com doentes, advêm de uma única condição, a saber, debilidade renal. Se alguém permanece numa dieta com pouco ou nenhum sal por longo tempo, os rins enfraquecem. O mesmo fenômeno se verifica com quem, há bastante tempo, vem ingerindo carne ou alimentos salgados. Também quem ingere, bebe ou inala produtos químicos desenvolve debilidade renal. Em suma: nossos rins perdem a potência quando ingerimos muito ou pouco sal, e ainda quando entramos em contato com produtos químicos. Resta assinalar que os rins também se arruínam pelo consumo exagerado de líquidos.

Mas que prejuízos advêm de rins debilitados? Que papel exercem esses órgãos em nosso organismo?

O organismo produz resíduos quando carboidratos, proteínas e gorduras são metabolizados. Além disso, a morte de 280 mil células a cada segundo também produz substâncias residuais. Se estes resíduos permanecem no corpo, os fluidos corporais tornam-se ácidos, o que prejudica a função de nervos e órgãos vitais.

A composição (qualidade) e o volume (quantidade) do sangue têm de permanecer sempre constantes. Se o volume de sangue não se mantém constante, a circulação pode falhar. Pouco sangue circulando implica definhamento e morte de nossas células. Se, por outro lado, o volume sanguíneo é muito alto, o coração se ressente e pode entrar em colapso. Devemos também lembrar que o sangue tem de ser utilizado repetidas vezes. Algum sangue é eliminado e substituído, mas não muito, o que nos leva a concluir que deve ser ele, a fim de manter constante sua composição, purificado.

As funções corporais não podem ser interrompidas, nem sequer por um minuto, a fim de que o sangue seja filtrado. Todos os reparos e ajustes com relação ao sangue devem ser feitos enquanto o “motor” está em funcionamento. Podem vocês imaginar alguém dirigindo ao longo da rodovia ao mesmo tempo que repara o veículo? Pois os rins realizam algo semelhante.

O sangue se introduz nos rins, passa por vários canais e tubos e circula por tecidos e membranas que reabsorvem água, minerais e glicose. Num adulto, 125 mililitros de plasma são filtrados por minuto pelos rins, cerca de 180 litros por dia, dos quais 178 devem ser reabsorvidos.

 Rins debilitados indicam que as membranas se tornaram impotentes e não conseguem reabsorver substâncias essenciais como, por exemplo, minerais. Assim, muitas dessas substâncias essenciais são perdidas. As membranas enfraquecem por causa do excesso de trabalho exigido dos rins, quer pela presença de muito líquido no organismo, quer pela presença de muitos resíduos.

Outra função dos rins, relacionada à absorção de minerais, é manter uma condição alcalina no sangue. Cálcio, magnésio, potássio e, principalmente, sódio têm de ser reabsorvidos pelos rins para manter a alcalinidade do sangue. Se os rins se encontram enfraquecidos, como descrito acima, esses minerais se perdem na urina. Se, por outro lado, alguém vem seguindo uma dieta com pouco ou nenhum sal, pode ser que não haja sódio suficiente no organismo para manter a alcalinidade sanguínea, o que provavelmente levará a uma condição ácida. E um sangue ácido é terreno propício a várias enfermidades.

A fim de restabelecer as funções dos rins, recomendo o seguinte:

1)                 Compressa de gengibre sobre os rins todos os dias;
2)            Reduzir o consumo de sal por um mês, e então aumentar gradualmente (para aqueles que vêm ingerindo muito sal);
3)                 Caminhar descalço sobre a grama no início da manhã, quando o orvalho ainda cai. Isso estimula um ponto importante do meridiano dos rins localizado na sola dos pés;
4)                 Trabalhar duro ao ar livre para induzir o suor;
5)                 Banho com areia da praia (cubra todo o corpo com ela);
6)                 Banhos de sal.


Como e por que tomar banho de sal

Para tomar um banho de sal, adicione cerca de 900 gramas de sal numa tina com aproximadamente 90 litros de água quente. Dado seu alto valor, não é necessário usar sal marinho macrobiótico. Use um produto mais barato. Não se preocupe: o sal não penetrará em seu corpo.

A relação de 900 gramas de sal para 90 litros de água corresponde a uma solução salina a 1%. A concentração de sal desta solução é mais alta do que a encontrada nos fluidos orgânicos, que normalmente apresentam uma solução salina a 0,85%. Esta diferença de concentração gera o que denominamos pressão osmótica (pressão que a água exerce para penetrar na solução mais concentrada). A pele é semipermeável à água, mas não às outras substâncias (minerais, glicose, etc.). A água flui, portanto, do corpo para a tina. Considerando que o volume de fluidos é reduzido, ao mesmo tempo que nenhum mineral é perdido, a concentração de sais no organismo, especialmente sódio, aumenta.

Deixe-me explicar como isso acontece. Se temos 10 partes de sódio para 100 de água, a concentração de sal é de 10%. Se, com a ajuda de um filtro, reduzimos a quantidade de água para 50 partes, retendo porém as 10 partes de sódio, a concentração de sal aumenta para 20%; ou seja, a concentração de sal dobra, ainda que nenhum sal seja adicionado. De modo similar, o banho de sal aumenta a concentração de minerais nos fluidos orgânicos sem que haja a necessidade de ingerir mais sal (algo que pessoas com os rins debilitados não podem fazer).

Outra razão por que recomendo banhos de sal é que a solução alcalina do banho atrai os ácidos do corpo, expulsando-os do interior do organismo para lançá-los na tina. Isso ajuda a alcalinizar os fluidos corporais sem agredir os rins já cansados.

Finalmente, recomendo banhos de sal para pessoas com insônia. O aumento de concentração de sódio nos fluidos corporais graças aos banhos de sal relaxa o sistema nervoso. Muitas pessoas com insônia deixaram de lado os medicamentos e começaram a dormir bem depois dos banhos de sal.

Para fazer o banho de sal:

Adicione 900 gramas de sal grosso numa tina com 90 litros de água quente e permaneça dentro dela de 20 a 30 minutos. Repetir todos os dias.