sábado, 1 de outubro de 2016

A Prova do Amor


A Prova do Amor

Bob Carr
 

Em agosto de 1987, numa tarde ensolarada, dirigi a Herman Aihara a seguinte pergunta: se um dos cônjuges começa a praticar macrobiótica e o outro se nega a fazê-lo, que conselho prático o senhor lhes daria? Abaixo, leitor, a resposta de Aihara.

Se alguém diz que não pretende mudar, a situação então é realmente difícil.

Se a mulher deseja mudar e o marido se mostra inflexível, ela pode influenciá-lo aos poucos, oferecendo-lhe alimento ou cozinhando. Se ele come arroz branco, ela pode introduzir numa das refeições o arroz integral. É melhor mudar um tipo de alimento por vez. Mudar tudo subitamente é uma experiência dramática. É mais interessante ir eliminando gradativamente os alimentos industrializados. Em vez de comprar em supermercados, comece a frequentar feiras orgânicas. Inclua mais alimentos integrais. Aos poucos, o discernimento progride, e a vontade de comer besteira diminui.

No entanto, se é a mulher que não quer saber de mudança, aí a coisa complica. Ohsawa, por exemplo, não alimentava esperanças: “Neste caso, é melhor desistir e pedir o divórcio.”

A única solução que vejo é o homem tratar de ficar doente o mais rápido possível. Se a mulher o ama de verdade, ela acabará mudando. Se não o ama, será a oportunidade de livrarem-se um do outro.

Não pense duas vezes: trate de ficar doente o mais rápido possível.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Na prisão com Ohsawa


Na prisão com Ohsawa
 
No período em que ficou encarcerado, Ohsawa curou a muitos criminosos. Estes, quando ganhavam a liberdade, não se esqueciam do Sensei: visitavam-no com frequência e traziam-lhe sempre uma lembrança.  Ohsawa também curou o carcereiro, que, em troca, deu-lhe a chave da cadeia. “Você pode deixar a cela quando bem entender”, disse-lhe o homem agradecido.

Não raro, sentimo-nos prisioneiros em nosso próprio corpo – quando a doença nos vitima; em nosso próprio lar – quando o cônjuge já não nos compreende; em nosso próprio trabalho – quando o dono da empresa não hesita em explorar-nos.

Mas, como aconteceu a Ohsawa, embora prisioneiros, a chave do cárcere está em nossas próprias mãos.

O Espírito da Macrobiótica


O Espírito da Macrobiótica

O ENFRENTAMENTO DAS DIFICULDADES

Ohsawa insistiu em que o fundamento da saúde a da felicidade reside inexoravelmente na resistência a fenômenos como o frio e a fome. Acreditava ele que o frio e a fome, ambos yin, produzem um corpo e um espírito yang. Ohsawa estava convicto de que a saúde é a única arma com que podemos contar para alcançar a felicidade neste mundo de constante inconstância.

 

A NOÇÃO DE RESPONSABILIDADE

Ohsawa acreditava que o alicerce da civilização Ocidental é o esquivar-se das responsabilidades.  Suas leis, seus contratos, seu sistema político, sua medicina, suas instituições em geral não constituem senão meios para justificar a violação das leis naturais.

Ohsawa ensinou que o indivíduo que vive se desculpando de seus erros jamais aprenderá com eles, e, portanto, nunca conquistará a felicidade. O Sensei repreendia com firmeza seus discípulos, caso fugissem às responsabilidades. A severidade de Ohsawa nessas horas, embora tendo finalidades educativas, acabava por afastar seus alunos. Muitos deles, entretanto, passados os anos, reconheceram o valor de tal comportamento, pois compreenderam que o hábito de desculpar-se reflete os protestos do ego. E, se em nossa vida nos deixamos levar pelos protestos do ego, jamais seremos felizes.

 

O QUE É JUSTIÇA

Quando Ohsawa se encontrava na França, um jovem veio procurá-lo. Era um filho seu perdido de vista havia muitos anos. O rapaz mostrava-se bastante doente. Em vez de consolá-lo, Ohsawa repreendeu-o muito severamente. O objetivo era fazê-lo entender o que é Justiça: a doença é um lembrete de Deus àqueles que vivem às turras com a Natureza. Com a mesma intenção, Ohsawa recusava-se a orientar quem quer que fosse uma segunda vez.  O doente que voltava a procurá-lo dava provas de que ainda não alcançara a verdadeira causa de seu sofrimento. E condescender em ajudá-lo novamente era o mesmo que desviá-lo do caminho da saúde real.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

10% HUMANOS

10% HUMANOs
COMO OS MICRO-ORGANISMOS SÃO A CHAVE PARA A SAÚDE DO CORPO E DA MENTE


Há muito mais coisas em seu corpo do que você poderia imaginar. Cerca de 100 trilhões delas, para ser mais exato.
Para cada célula humana em nosso organismo, há outras nove impostoras, pegando carona. Você não é formado apenas de carne e osso, sangue e músculo, mas também de bactérias e fungos. Não é um indivíduo, mas uma colônia – um ecossistema. Somos apenas 10% humanos.
Até pouco tempo atrás, os micróbios eram vistos como invasores, inimigos, parasitas. Estávamos decididos a exterminá-los. Mas a ciência vem revelando uma história bem diferente: os micro-organismos comandam nosso corpo e evoluíram numa relação de estreita simbiose com os humanos – e é impossível ser saudável sem eles.

Antes considerados indesejáveis, intrusos maléficos e causadores de doenças e inflamações fatais, os micróbios estão pouco a pouco melhorando sua reputação. As mais novas pesquisas científicas vêm demonstrando de forma sistemática que nosso relacionamento simbiótico com as bactérias e outros micro-organismos é essencial para a saúde e o bem-estar.
Em meados do século passado, testemunhamos uma verdadeira revolução no campo da saúde pública. Finalmente vencemos a guerra contra os patógenos – os micróbios causadores das doenças que mais mataram gente em outras épocas: a pneumonia, o cólera, a varíola, a tuberculose... Mas essa vitória cobrou um preço alto: nunca tivemos tantos casos de autismo, doenças autoimunes e obesidade.
As últimas pesquisas científicas mostram de que forma os micróbios que habitam o corpo determinam nosso peso, o funcionamento de nosso sistema imunológico e até mesmo nossa saúde mental.
Além disso, mostram como as doenças modernas – obesidade, autismo, transtornos mentais, problemas intestinais, alergias e doenças autoimunes – teriam uma causa comum: o fato de não estarmos cultivando uma boa relação com nossa colônia pessoal de micro-organismos.
Esta nova perspectiva traz uma boa notícia: ao contrário de nossas células humanas, nossa colônia microbiana pode ser alterada para melhor.